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Sylvia Plath – Limite

A mulher está perfeita. Seu corpo Morto enverga o sorriso de completude, A ilusão de necessidade Grega voga pelos veios da sua toga, Seus pés Nus parecem dizer: Já caminhamos tanto, acabou. Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca, Uma para cada pequena Tigela de leite vazia. Ela recolheu-as todas Em seu corpo, como pétalas Da…
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Manuel António Pina – Depois

Primeiro sabem-se as respostas. As perguntas chegam depois, como aves voltando a casa ao fim da tarde e pousando, uma a uma, no coração quando o coração já se recolheu de perguntas e de respostas. Que coração, no entanto, pode repousar com o restolhar de asas no telhado? A dúvida agita os cortinados e nos…
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Mary Oliver – Como é conosco, e como é com eles

Nós nos tornamos religiosos, depois nos afastamos disso, depois ficamos carentes e talvez voltemos atrás. Nos dedicamos a ganhar dinheiro, depois nos voltamos para a vida moral, depois pensamos novamente em dinheiro. Conhecemos pessoas maravilhosas, mas as perdemos para os nossos negócios. Estamos, como diz o refrão, por toda parte. A constância, aparentemente, tem mais…
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Laia Noguera i Clofent – Sem título

Amo a vida simples, sentar-me à entrada para ver o ir e vir das pessoas, como se move um pardal, como se inclina a tarde nas casas do corpo. Já sei que morrerei muito antes de morrerem as árvores que amo. Mas nada me preocupa, porque no instante em que se me romper o último…
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Nicanor Parra – Composições

I Cuidado, todos mentimos Mas eu proclamo a verdade. A matemática enfada Mas nos dá o de comer. Por outro lado, se escreve Poema para viver Ninguém gosta de assumir Culpa por vidros quebrados. Se escreve contra si mesmo Em virtude dos demais Que indecente é fazer versos! Quando menos se esperar Darei um tiro…
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Anne Sexton – A Terra Desmorona

Se eu pudesse culpar o clima por tudo, a neve como a mesa de dissecação, as árvores que se tornam agulhas de tricô, o chão, tão rijo como uma arinca congelada, o lago vestindo seu bigode de geada. Se eu pudesse culpar tais circunstâncias, se eu pudesse culpar os corações de estranhos descendo as ruas…
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Aldo Oliva – O Elevador de Hera

Dizem os insetos sensatos e sensíveis que as paredes e os grandes muros são apenas um hausto veemente conjurando o nada, o infinito. Por estes ladrilhos de não-ser ascendem, como habitáculos de fúria, os corpos corrompidos das palavras. Quem me impôs, rasgando minha inocência animal na base da minha profundidade biológica, esta ascensão conjetural? Só…
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José Lino Grünewald – Soneto Burocrático

Salvo melhor juízo doravante, Dessarte, data vênia, por suposto, Por outro lado, maximé, isso posto, Todavia deveras, não obstante Pelo presente, atenciosamente, Pede deferimento sobretudo, Nestes termos, quiçá, aliás, contudo Cordialmente alhures entrementes Sub-roga ao alvedrio ou outrossim Amiúde nesse ínterim, senão Mediante qual mormente, oxalá quão Via de regra te-lo-ão enfim Ipso facto outorgado,…
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Marcelo Montenegro – Forte Apache

Noel Rosa dizia que era universal sem sair de seu quarto. Elvis Costello disse que o rock ‘n’ roll não morrerá porque sempre vai ter um garoto trancado em seu quarto fazendo algo que ninguém nunca viu. Laura Riding, por seu turno, falava da pretensão de “escrever sobre um assunto/ que tocasse todos os assuntos/…
