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Carlos Alberto Machado – Mapa de Desencontros

I Abrigo-te mais uma vez há muito tempo disseste aqui hei-de morrer voltas sempre a esta morada ris-te e partes no telhado frágil caem as primeiras águas de Inverno. II Deus encontrou-te eu sei apaixonou-se pelos teus olhos verdes (há fados assim) à sombra das velhas árvores dás-lhe a mão e passeiam deve ser em…
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Edna St. Vincent Millay – Objeção de Consciência

Eu vou morrer, mas isso é tudo o que farei pela Morte. Eu a ouço tirar seu cavalo da baia; Eu ouço pisadas no chão do celeiro. Ela tem pressa; ela tem negócios em Cuba e nos Bálcãs, muitas ligações a fazer na manhã. Mas eu não vou segurar a rédea enquanto ela ajusta a…
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Alejandra Pizarnik – Capítulos Principais

Chega a morte com sua manada de ossos sorrio submissa a uma menina idiota que implora em meu nome juntas (a morte, a menina e eu) não encontramos outro ofício para execrar. No final todos se casam: o mar e as ondas, a noite e a escuridão, a taça e o vinho, o anel e…
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

Elas não te abandonarão. O tempo passará, apagar-se-á o desejo — esta flecha da sombra — e os rostos sensuais, belos e inteligentes, ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho. Passarão os anos. Cansar-te-ão os livros. Decairás ainda mais e perderás até mesmo a poesia. O ruído da cidade nas vidraças acabará por ser…
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Tishani Doshi – Poema de Amor

No fim, perderemos um ao outro para alguma coisa. Espero que para algo grandioso – morte ou desastre. Mas pode não ser dessa maneira. Pode ser que você saia para comprar cigarros uma manhã depois de termos feito amor e nunca mais retorne, ou eu me apaixone por outro homem. Pode ser uma lenta caminhada…
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Emily Dickinson – “Morrer por ti era pouco…”

Morrer por ti era pouco.Qualquer grego o fizera.Viver é mais difícil —É esta a minha oferta — Morrer é nada, nemMais. Porém viver importaMorte múltipla — semO Alívio de estar morta. Trad.: Augusto de Campos Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog Too…
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Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá…
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Jorge Luis Borges – Cambridge

Nova Inglaterra e a manhã. Dobro por Craigie. Penso (já pensei) que o nome Craigie é escocês e que a palavra crag é de origem celta. Penso (já pensei) que neste inverno estão os antigos invernos dos quais deixaram escrito que o caminho está prefixado e que já somos do Amor ou do Fogo. A…

