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Manuel António Pina – Os Gatos

Há um deus único e secretoem cada gato inconcretogovernando um mundo efémeroonde estamos de passagem Um deus que nos hospedanos seus vastos aposentosde nervos, ausências, pressentimentos,e de longe nos observa Somos intrusos, bárbaros amigáveis,e compassivo o deuspermite que o sirvamose a ilusão de que o tocamos
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Stein Mehren – Grandes Perguntas

As grandes perguntas não têm soluções, não têm resposta Grandes perguntas não são feitas para serem respondidas Mas para serem vividas Os maiores mistérios continuam sendo mistérios. E na condição de mistérios permitem apreender nosso lugar no mundo, posto que inevitavelmente nos colocam em nossos devidos lugares dentro de nós mesmos. Trad.: Ana Cristina de…
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Ruy Belo – Muriel

Às vezes se te lembras procurava-te retinha-te esgotava-te e se te não perdia era só por haver-te já perdido ao encontrar-te Nada no fundo tinha que dizer-te e para ver-te verdadeiramente e na tua visão me comprazer indispensável era evitar ter-te Era tudo tão simples quando te esperava tão disponível como então eu estava Mas…
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Lêdo Ivo – O Dia dos Homens

Viver é preciso. Não existe inferno nem paraíso. Apenas o chão. E uma persistente chuva de verão.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Apesar das ruínas e da morte

Apesar das ruínas e da morte,Onde sempre acabou cada ilusão,A força dos meus sonhos é tão forte,Que de tudo renasce a exaltaçãoE nunca as minhas mãos ficam vazias. Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog
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Ryane Leão – “Você é uma frase bonita”

você é uma frase bonita dessas que a gente sublinha no livro faz tatuagem, conta pra todo mundo dessas que dividem a gente em antes e depois
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Sonja Åkesson – Primavera e Outono, Verão e Inverno

A grade que enferrujou. O pão que empedrou. O vento que correu em busca de uma caixa d’água. Primavera e outono, verão e inverno. Isso foi tudo. E é claro, a morte também sonolenta e bem empanturrada como um gato castrado bocejando enquanto as estações do ano vão e voltam deixando um gosto amargo em…
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Nuno Júdice – Carpe Diem

Confias no incerto amanhã? Entregas às sombras do acaso a resposta inadiável? Aceitas que a diurna inquietação da alma substitua o riso claro de um corpo que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos, os instantes; e nos lábios dessa que amaste morre um fim de frase, deixando a dúvida definitiva. Um nome…
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Manuel António Pina – Farewell Happy Fields – IV

Farewell Happy Fields – IV, um poema de Manuel António Pina
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Ivan Junqueira – Hoje

A sensação oca de que tudo acabou o pânico impresso na face dos nervos o solitário inverno da carne a lágrima, a doce lágrima impossível… e a chuva soluçando devagar sobre o esqueleto tortuoso das árvores