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Ricardo Silvestrin – Dança

Sim, existe a dança: o corpo solto avança e recua leve nos passos matemáticos, um, dois, um, como se fosse mais fácil viver num tempo menor, brincadeira de criança que sabe de cor o roteiro e ri na hora marcada. Fora da dança, o infinito nos convida, nos seduz com passos improváveis, mas temos dois…
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Carlos Drummond de Andrade – A Mesa

E não gostavas de festa. . . Ó velho, que festa grande hoje te faria a gente. E teus filhos que não bebem e o que gosta de beber, em torno da mesa larga, largavam as tristes dietas, esqueciam seus fricotes, e tudo era farra honesta acabando em confidência. Ai, velho, ouvirias coisas de arrepiar…
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William Carlos Wiliams – Entre Muros

alas traseiras do hospital onde nada medra jazem cinzas nas quais cacos verdes brilham garrafa Trad.: Haroldo de Campos
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Robinson Jeffers – Sem Título

Isto quase anula meu medo de morrer, meu amor falou, Quando eu penso em cremação. Apodrecer na terra É um fim abominável, mas arder em chamas — além disso, estou habituada, Eu ardi com amor ou fúria tanto em minha vida, Não à toa meu corpo está cansado, não à toa está morrendo. Nós fomos felizes com…
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Jules Laforgue – Spleen

Tudo é tédio. Manhã. Olho pela janela. No alto, risca-se o céu no giz da chuva fria. Em baixo, a rua. Sob a cerração sombria Vultos deslizam na água turva de barrela. Olho sem ver (até meu cérebro regela) Maquinalmente sobre o vidro que embacia Meu dedo faz rabiscos de caligrafia. Bah! Saiamos. Quem sabe,…
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William Carlos Williams – Carrinho de Mão Vermelho

tanto depende de um carrinho de mão vermelho vidrado pela água da chuva perto das galinhas brancas. Trad.: Haroldo de Campos
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William Carlos Williams – As Árvores de Botticelli

O alfabeto das árvores se esfuma no canto das folhas os entre- laços de finas letras que soletram inverno e o frio são iluminados em apontos de verde por chuva e sol – Os princípios simples estritos de justos ramos são tangidos por beliscões afãs de cor, devotas condições os sorrisos de amor – …………….…
