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Federico García Lorca – E Depois…

Os labirintos que criam o tempo se desvanecem. (Só fica o deserto.) O coração, fonte do desejo, se desvanece. (Só fica o deserto) A ilusão da aurora e os beijos se desvanecem. Só fica o deserto. Um ondulado deserto. Conheça outros livros de Federico García Lorca clicando aqui
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Eugénio de Andrade – Adágio

O Outono é isto – apodrecer de um fruto entre folhas esquecido. Água escorrendo, quem sabe donde, ocasional e fria e sem sentido.
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José Saramago – É tão fundo o silêncio…

É tão fundo o silêncio entre as estrelas. Nem o som da palavra se propaga, Nem o canto das aves milagrosas. Mas lá, entre as estrelas, onde somos Um astro recriado, é que se ouve O íntimo rumor que abre as rosas.
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José Saramago – Diz tu por mim, silêncio

Não era hoje um dia de palavras, Intenções de poemas ou discursos, Nem qualquer dos caminhos era nosso. A definir-nos bastava um acto só, E já que nas palavras me não salvo, Diz tu por mim, silêncio, o que não posso. Conheça outros livros de José Saramago clicando aqui
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José Saramago – As Palavras de Amor

Esqueçamos as palavras, as palavras: As ternas, caprichosas, violentas, As suaves de mel, as obscenas, As de febre, as famintas e sedentas. Deixemos que o silêncio dê sentido Ao pulsar do meu sangue no teu ventre: Que palavra ou discurso poderia Dizer amar na língua da semente?
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Ronaldo Costa Fernandes – Férias

Aqui, quieto em meu canto sem mexer-me, olhando a luz higiênica do sol, penso na inutilidade cansativa de malas e hotéis para divertir-me nas férias estrangeiras. Não, só preciso da vontade, nem sempre firme, um vento estradeiro, um alarde distante de pássaros e nada além do meu corpo.
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Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…
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Emmanuel Santiago – Lembro-me das Madrugadas

Lembro-me das madrugadas de Minas, quando o frio era vidro moído na carne e, lívido, o orvalho lustrava o gume das estrelas, que luziam no brilho sombrio do céu noturno (negro veludo). Através da neblina, em dança imóvel e milenar, tremulava o vulto oblíquo das montanhas. E aquilo era tudo que eu sabia do horizonte…
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londres cantam todo o inverno como se o frio fosse o maior aconchego nos parques arrancados ao trânsito automóvel nas ruas da neve negra sob um céu sempre duro os pássaros de Londres falam de esplendor com que se ergue o estio e a lua se derrama por praças tão sem cor…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa, que a vida está um deserto e o coração só me pulsa sombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa, que a lua avança no mar e há salobros fantasmas que não quero visitar. Vamos beber…