Tag: Família
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Ellen Bass – No ar

A estação nostalgia toca as cançõesque tocava quando eu aqui viviae a voz adocicada do DJ dizia:Vamos agitar com essa, Ellen. Isso é da época em que minha mãe leu sobre as virtudesda água do mar e mergulhou, no verão e no inverno.Ela distribuía uma colher de chá para cada um de nósantes de sair…
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Ellen Bass – Por qualquer outro nome

Não me incomoda tanto perder os nomes das pessoas.São os substantivos comuns que me fazem falta. Temo o espaço em branco absoluto quando tento me lembrardaquela coisa em que os professores escrevem com giz. Consigo vê-la na minha mente. Às vezes estouaté olhando diretamente para ela. Ontem fiqueidiante das flores brancas e rosas do meu…
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Sean O’Brien – Contando a chuva

Verifique o gás e guarde a chave da porta de trás.Tranque tudo. Certifique-se de que o fezE então saia e conte a chuva, e desta vezFaça-o direito. Você não estará em casa nunca mais. Trad.: Nelson Santander Counting the Rain Check the gas and hide the back door key.Lock up. Make sure you have, and…
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Jaime Manrique – O céu sobre a casa de minha mãe

É uma noite de julhoperfumada com gardênias.Brilham a lua e as estrelassem revelar a essência da noite.Ao longo do crepúsculo— com suas gradações cada vez mais intensas de ônix,e o resplendor dourado das estrelas e das sombras —minha mãe arrumou a casa, o jardim, a cozinha.Agora, enquanto ela dorme,eu caminho em seu jardim,imerso no vazio…
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Philip Larkin – A casa está tão triste

A casa está tão triste. Ficou como foi deixada,Moldada para o conforto dos últimos saintesQuerendo reconquista-los. Ao invés, despojadaDe alguém para agradar, ela definha assim, carenteDe um coração para esquecer que foi roubada E voltar novamente às origens – um retratoAlegre de como as coisas deveriam ser –Há muito perdidas. Veja como era de fato:Observe…
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Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,sem falar em veículos e animais – tivesse,um belo dia, afundado? Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.Uma grande cidade certamente teria feito falta?Sinto falta da nossa velha cidade — pimenta-branca, morcela branca, você e…
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Kerry Hardie – Navio da morte

para minha mãeObservando-a, pela primeira vez,virar-se para preparar o seu barco, minha mãe;quando ficou claro que você tinha outros assuntos agora —os assuntos do seu futuro —fui inundada pela raiva.Foi uma primeira sondagem,um olhar lançado sobre velas, remos, mastros,como aquele olhar experiente que muitas vezes viperscrutando a mesa farta.Como pode você planejar partir assimquando finalmente…
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Linda Pastan – O adeus de Dido

O adeus de Dido Incessante é a chuvaem minhas vidraças, e as velas se afogamem sua própria cera.Abandonados pela luz,até os filamentos de estrelasescurecem. Esta tardeescorei com estacassuas rosas encharcadas,elas agora lembram jovens meninasapoiadas em muletas. Você deixouum mapa parcialde sua mão direitaem cada maçaneta,e eu sigo de salaem sala, nômadeem minha própria casa,o coração…
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
