Ellen Bass – Por qualquer outro nome

Não me importo tanto em esquecer os nomes das pessoas.
São os substantivos comuns que me fazem falta. Temo o
espaço em branco absoluto de quando tento me lembrar
daquele objeto no qual os professores escrevem com giz.

Eu posso vê-lo em minha mente. Às vezes estou
até olhando diretamente para ele. Ontem eu fiquei
diante das flores brancas e rosas do meu jardim,
sabendo que conhecia, até aquele momento,
seus nomes populares e em latim.

Ao pegar a tanga úmida da minha filha,
eu disse: “Pendure sua canga no varal.”
Impressionada, chamei de vagem o colar
que um amigo usava. Sinto falta

dos nomes, como se fossem
as próprias coisas, como se os objetos
tivessem sido apagados, um borrão
na página. Como as aberturas

naqueles totens de papelão, cabeças encaixadas
sobre uma roupa de cowboy ou um vestido plissado de can-can.
Quando as retiramos, não há ninguém lá.
Eu me pego afagando objetos simples –

espátula, cobertor, sombrinha, sabonete –
como se fossem entes queridos
prestes a partir. Como irei suportar
os buracos que eles deixarão no mundo?

Trad.: Nelson Santander

BASS, Ellen. “By Any Other Name”. In:_____Prairie Schooner. EUA: University of Nebraska Press, Vol. 78, n. 4, Winter 2004, pp 148-150.

Miniantologia Poética – 3

By Any Other Name

I don’t so much mind losing people’s names.
It’s the ordinary nouns I miss. I fear the absolute
blank space when I try to recall
that thing teachers write on with chalk.

I can see it in my mind. Sometimes
I’m even looking right at it. Yesterday I stood
over the pink and white flowers in my garden,
knowing that I’d known, until that moment,
both their common and Latin names.

Picking up my daughter’s damp bathing suit,
I said, “Hang your suitcase on the line.”
Admiring a friend’s necklace,
I called it a stringbean. I miss

the names, as though they were
the things themselves, as though the objects
were erased, a smudge
on the page. Like the openings

in those amusement stockades, heads popped
above a cowboy suit or ruffled can-can dress.
When they pull out, there’s no one there.
I find myself caressing simple objects-

spatula, blanket, umbrella, soap –
as though they were loved ones
about to depart. How will I bear
the holes they leave in the world?

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