Tag: Família
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Gillian Clarke – Advento

Tempos sombrios. Dezembro.O eixo da terra inclinadoe os minutos caem do diaum pouco de cada vez. Assim, dormimos além da escuridão,sonâmbulos das horas cinzentas.Impossível crer na luz,ou em um nascimento, até esta alvorada invernal, a raposavoltando para casa com sangue na boca,todos os elementos químicos da aurora em seus olhos,e o céu abismado. Trad.: Nelson…
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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizerque a vida é bela, e muito,e que a revolução caminha com pés de flornos campos de meu país,com pés de borrachanas grandes cidades brasileirase que meu coraçãoé um sol de esperança entre pulmõese nuvens Poderia dizer que meu povoé uma festa só na vozde Clara Nunesno rodardas cabrochas no Carnavalda Avenida.Mas não. O…
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Ada Limón – O que eu quero lembrar

Logo antes da casa do general Vallejo,com suas imponentes pedras e paredes amarelas, há um campo ao longo do caminhopara o qual as chuvas de primavera conduzem os sapos, toda uma sinfonia deles, inaugurandoas horas logo após o sol afundar no Oceano Pacífico, a apenasuma hora de distância. Por que estou colocando você aqui? Estou…
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Paulo Henriques Britto – de “Dez Sonetoides Mancos”

VI Nada de mergulhos. É na superfícieque o real, minúsculo plâncton, se trai.Sentidos, sentimentos e outros moluscos não passam pela finíssima peneirado funcional. E o sofrimento, ai,esse nefando pinguim de louça sobre o que deveria ser, na quiti-nete do eu, uma austera geladeira… Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro, meufilho. Só o raso é…
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Lisel Mueller – Há manhãs

Mesmo agora, quando o enredoexige que eu me torne pedra,o sol intervém. Em certas manhãsde verão saio de casae o céu se abree se derrama dentro de mimcomo se eu fosse uma santaprestes a morrer. Mas o enredoexige que eu viva,seja comum, não diga nadaa ninguém. Dentro de casaos espelhos ardem quando passo. Trad.: Nelson…
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Jean Sprackland – Perdendo o escuro

Novembro, quando o dia deveria terminar mais cedocomo um livro maçante. Mas naquela tardeuma pequena nuvem em forma de ponto de interrogaçãopassou sobre o sol e se dissolveu.Seis horas; oito; dez. E a luz do diaainda inundava a rua espantada. Uma dádiva. Como uma daquelas noites de verãoem que nos sentamos, copo na mão,sob a…
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W. S. Merwin — Um aniversário

Algo continua e eu não sei como chamá-loembora o idioma esteja cheio de sugestõesem termos de linguagem mas elas todas são anônimase é quase seu aniversário música junto aos meus ossosnestas noites ouvimos os cavalos correndo na chuvaao parar a lua aparece e nós ainda estamos aquias goteiras no telhado continuam pingando depois que a…
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Abel Silva – Navegações

Minha casa está calma,eu é que sou turbulento,o país navega, dizem,eu é que me arrebentoeu é que sempre inventotoda esta ventaniaeu é que não me contentocom o rumo da romaria não sei se a sorte é cegaou eu que vivo a teimar:sei que eu sou o barcoo marinheiroe o mar. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…
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Ada Limón – O que eu não sabia antes

era que cavalos simplesmente dão à luz outroscavalos. Não um bebê, de jeito nenhum, nãouma criatura de espaços liminares, mas um brichode quatro patas obstinado a andar, aos tropeços atrásda mãe. Um cavalo dá lugar a outrocavalo e, de repente, há dois cavalos,simples assim. Foi que eu te amei. Você,descendo do longo trem vindo de…
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Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou.Minha mãe casou e mudou.Vovó morreu.Os irmãos sumiram no mundoou submundo.Sem explicaçãoYvonne nunca mais falou comigoe, para Ronaldo,sou fantasma do passado.Vejo meus filhos já voando.Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 26/03/2017