Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,
que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,
sem falar em veículos e animais – tivesse,
um belo dia, afundado?

Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.
Uma grande cidade certamente teria feito falta?
Sinto falta da nossa velha cidade —

pimenta-branca, morcela branca, você e eu nos encontrando
sob as janelas em leque e céus baixos para voltarmos para casa. Talvez
o que tenha realmente acontecido seja

isto: os antigos criadores de fábulas procuraram muito uma palavra
pra dizer que o que se foi se foi para sempre e
nunca a encontraram. E assim, nas melhores tradições de

onde viemos, deram um nome à sua mágoa e a afogaram.

Trad.: Nelson Santander

Atlantis – A Lost Sonnet

How on earth did it happen, I used to wonder
that a whole city – arches, pillars, colonnades,
not to mention vehicles and animals – had all
one fine day gone under?

I mean, I said to myself, the world was small then.
Surely a great city must have been missed?
I miss our old city –

white pepper, white pudding, you and I meeting
under fanlights and low skies to go home in it. Maybe
what really happened is

this: the old fable-makers searched hard for a word
to convey that what is gone is gone forever and
never found it. And so, in the best traditions of

where we come from, they gave their sorrow a name and drowned it.

Visualizações: 1

Receba novos poemas no seu e-mail

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

3 respostas a “Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido”

  1. […] 60. Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido Como diabos aconteceu, eu costumava me perguntar, de uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas, isso sem falar nos veículos e animais – ter-se, um belo dia, afundado? (…) […]

  2. […] 60. Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido Como diabos aconteceu, eu costumava me perguntar, de uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas, isso sem falar nos veículos e animais – ter-se, um belo dia, afundado? (…) […]

  3. […] 60. Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido Como diabos aconteceu, eu costumava me perguntar, de uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas, isso sem falar nos veículos e animais – ter-se, um belo dia, afundado? (…) […]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *