Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,
que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,
sem falar em veículos e animais – tivesse,
um belo dia, afundado?
Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.
Uma grande cidade certamente teria feito falta?
Sinto falta da nossa velha cidade —
pimenta-branca, morcela branca, você e eu nos encontrando
sob as janelas em leque e céus baixos para voltarmos para casa. Talvez
o que tenha realmente acontecido seja
isto: os antigos criadores de fábulas procuraram muito uma palavra
pra dizer que o que se foi se foi para sempre e
nunca a encontraram. E assim, nas melhores tradições de
onde viemos, deram um nome à sua mágoa e a afogaram.
Trad.: Nelson Santander
Atlantis – A Lost Sonnet
How on earth did it happen, I used to wonder
that a whole city – arches, pillars, colonnades,
not to mention vehicles and animals – had all
one fine day gone under?
I mean, I said to myself, the world was small then.
Surely a great city must have been missed?
I miss our old city –
white pepper, white pudding, you and I meeting
under fanlights and low skies to go home in it. Maybe
what really happened is
this: the old fable-makers searched hard for a word
to convey that what is gone is gone forever and
never found it. And so, in the best traditions of
where we come from, they gave their sorrow a name and drowned it.

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