Tag: Morte
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Kerry Hardie – Navio da morte

para minha mãeObservando-a, pela primeira vez,virar-se para preparar o seu barco, minha mãe;quando ficou claro que você tinha outros assuntos agora —os assuntos do seu futuro —fui inundada pela raiva.Foi uma primeira sondagem,um olhar lançado sobre velas, remos, mastros,como aquele olhar experiente que muitas vezes viperscrutando a mesa farta.Como pode você planejar partir assimquando finalmente…
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J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeralde nossa amiga, causa da morte: um câncer nasentranhas do cérebro no interior da estrutura ósseaque dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludoà mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracospara segurar um pincel. Ele a…
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Ivan Junqueira – Lição

À beira do claustroo monge se inclinae na pedra aprendeo que a pedra ensina:que a vida é nadacom a morte por cima,que o tempo apenaseste fim lhe adiae que o ser carecede não ser ainda,pois à luz se esquivado que o purifica:a doce pedra,sem musgo ou limo,o pátio só,conquanto o sino,o ermo das coisassimples e…
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Ferreira Gullar – Traduzir-se

Uma parte de mimé todo mundo;outra parte é ninguém:fundo sem fundo. Uma parte de mimé multidão:outra parte estranhezae solidão. Uma parte de mimpesa, pondera;outra partedelira. Uma parte de mimalmoça e janta;outra partese espanta. Uma parte de mimé permanente;outra partese sabe de repente. Uma parte de mimé só vertigem;outra parte,linguagem. Traduzir-se uma partena outra parte– que…
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Li-Young Lee – Das flores

Das flores vemeste saco de papel pardo com os pêssegosque compramos do meninona curva da estrada onde dobramos em direção às placas escritas Pêssegos. Dos galhos carregados, das mãos,da doce comunhão nas latas,vem o néctar da beira da estrada, suculentospêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,vem o pó familiar do verão, pó que…
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Javier Salvago – Canção para esse dia

Agora simjá se vêo porvir.Agora simé o fim que está aqui. Que esta é– agora sim –a vetustez:a aridez,não esperarnenhum trem. Agora simo naviovai partir.Sem saberse é o fimou o além. Acabou,não há maisshow.Cai a cortina,Diz adeuso ator. Agora simé o fimque está aqui.Agora simjá se vêo porvir. Trad.: Nelson Santander Canción para ese día…
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
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Jack Gilbert – Fracasso e voo

O fracasso não encerra a experiência: dele pode nascer uma forma inesperada de grandeza. Jack Gilbert aproxima amor, casamento e mortalidade para observar como a vida se eleva justamente quando aceita risco e imperfeição.
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Ada Limón – O que eu quero lembrar

Logo antes da casa do general Vallejo,com suas imponentes pedras e paredes amarelas, há um campo ao longo do caminhopara o qual as chuvas de primavera conduzem os sapos, toda uma sinfonia deles, inaugurandoas horas logo após o sol afundar no Oceano Pacífico, a apenasuma hora de distância. Por que estou colocando você aqui? Estou…
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Hart Crane – Louvor a uma urna

Louvor a uma urna In Memoriam: Ernest Nelson Era do norte o rosto ternoDe falso exilado, juntandoDe Pierrô o olhar eternoE a gargalhada de Gargantua. Os sonhos que me confiavaDo travesseiro branco, insone,Agora eu sei, eram heranças –Corcéis suaves do ciclone. No monte oblíquo a lua oblíquaNos deu presságios indistintosDo que ainda vivo o morto…