Tag: Morte
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Kenneth Rexroth – Música de Alaúde

A Terra vai durar por muito tempoAntes de finalmente congelar;Os homens nela estarão; terão nomes,Justificarão seus atos.Já nós estaremos aqui somenteComo componentes químicos —Uma pequena concessão, de fato.Agora ainda temos vidas,Corpúsculos, ambições, carícias,Como todos já tiveram um dia —Toda a luminosa gente das neige d’antan1,“A alegre Helena, a branca lope e as demais,”2Todos os inquietos…
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Matt Rasmussen – Suicídio reverso

O cara para quem papai vendeu o carrovolta para buscar o dinheiro dele, sai do veículo. Com trapos imundosnós o esfregamos até que deixe de brilhar e limpamos o seu sangue dascosturas do assento. Cada floco de neve se move antesde alçar ao céu enquanto eu percebo que você não estará morto.O não sofrimento termina…
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Ellen Bass – Foi esta a porta

Não havia belezaquando eu me sentava na cozinha, à mesa, rompendo as cápsulas rosadas, dividindo os grânulospara que ela pudesse ingerir a promessa precisa, onde ela se deitava no quintal envolta em colchastodas as noites olhando por entre os ramos, estrelas salpicadas no venoso céu escuro.Não havia tempo lá fora. Ou o tempo era grande…
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Ellen Bass – Borboleta morta

Durante meses, minha filha carregou uma borboleta-monarca morta em um pequeno recipiente.Em sua mochila, o inseto ia e vinha da escolapara a casa de sua única amiga. À mesa de jantar,ele se acomodava, como um convidado, ao lado da carne assada.Ela o levava para a cama, apoiando-o em seu travesseiro. Foi no ano em que…
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Ellen Bass – Rendição

Pensei que ela iria querer me poupardaquilo, do mau cheiro e da vergonha,mas na última semana, a da morte,minha mãe me deixou trocar suas fraldas,me deixou secá-la com um pano úmido e quentee deslizar o lençol sob os seus quadris,a pele amolecendo, os ossos dilatando,a gravidade chamando-a de volta a terra como algum fruto caído.Eu…
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Josep M. Rodríguez – matéria e forma

Como expressar dor na dor ao saber da morte de uma amiga. Não sei o que fazer. Do mesmo modo que a água é anterior ao rio e a matéria antecede a luz, mas é a luz que lhe confere forma, assim se cala a dor dentro de mim até que há algo lá fora…
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto sobre uma rodoviaque dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo uma ave expulsa de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite o dia todo,inverno o ano todoe as semanas só têm segundas-feiras,onde olhar, para onde voltar os olhos,que eu…
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João Cabral de Melo Neto – Como a Morte se Infiltra

Certo dia, não se levantaporque quer demorar na cama. No outro dia ele diz por que:é porque lhe dói algum pé. No outro dia o que dói é a perna,E nem pode apoiar-se nela. Dia a dia lhe cresce um não,um enrodilhar-se de cão. Dia a dia ele aprende o jeitoem que menos lhe pesa…
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Laura Liuzzi – Fio Sem Fim

Chega-se, enfim, à última páginaembora deixe claro: não se chegaao fim. Um mesmo fio fino frágilmas firme, da mesma fibra de rioconduz memória e história: storage— está estendido para sempree para sempre soará, suaráa cada renovação do sol, mesmoquando atingirmos o final —mesmo assim não se chegaráao fim. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em…
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Mary Oliver – Encontrando a raposa

Quando encontrei a raposa hoje – um ourotão vivo em seus olhos –nenhuma de nósse moveu, embora apenas uma de nós tenha sido imediatamente tomadade admiração. Suas patas estavamapoiadas em seu movimentode brusca parada, suas orelhas, para frente apontadas,a fim de ouvir como minha língua poderia ser,mas eu não dissenada, não havia palavra para a…