Tag: Morte
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Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Nâzim Hikmet – O otimista

quando criança ele nunca arrancou as asas das moscasele não atava latas nos rabos dos gatosnão prendia besouros em caixas de fósforosnem esmagava formigueirosele cresceue todas estas coisas foram feitas com eleeu estava ao lado de sua cama quando ele morreuele disse leia para mim um poemasobre o sol e o oceanosobre satélites e reatores…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

VII Nada disso foi do jeito que eu quis.Se fosse como eu quis, não haveriade ser tão sofrido, tão infeliz.Mas eu – o eu que sou – eu não seria. Assim, não me lamento. Até me sintocomo quem tem não o que foi pedido,e sim o que, guiado pelo instinto,não pelo querer, teria querido. O…
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Andrea Cohen – O comitê avalia

Digo à minha mãe queganhei o Prêmio Nobel. De novo? ela diz. Em qualcategoria desta vez? É uma brincadeiraque fazemos: eu finjo que sou alguém, elafinge não estar morta. Trad.: Nelson Santander The Committee Weighs In I tell my motherI’ve won the Nobel Prize. Again? she says. Whichdiscipline this time? It’s a little gamewe play:…
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Roderick Ford – Giuseppe

Meu tio Giuseppe me contouque na Sicília, durante a 2ª Guerra Mundial,no pátio atrás do aquário,onde a buganvília cresce tão bem,a única sereia cativa do mundofoi abatida no solo seco e empoeiradopor um médico, um peixeiro e outros.Ela, aquilo, nunca aprendera a falarporque era simplória, ou assim haviam dito.Mas o padre que segurava uma de…
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Paulo Henriques Britto – De “Seis Sonetos Soturnos”

I A qualquer hora, o que se chama vidapode mudar da água pro vinho. Ou vice–versa. Cada palavra proferida —uma sentença grave, uma tolice —pode retornar feito um bumeranguecapaz de destruir o que encontrar.E nada que se funde em carne e sangueescapa dessas bólides de ar:o amor e demais estados de graça,reputações, ações, fazendas, gado,longos…
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Paulo Henriques Britto – Acalanto

Noite após noite, exaustos, lado a lado,digerindo o dia, além das palavrase aquém do sono, nos simplificamos, despidos de projetos e passados,fartos de voz e verticalidade,contentes de ser só corpos na cama; e o mais das vezes, antes do mergulhona morte corriqueira e provisóriade uma dormida, nos satisfazemos em constatar, com uma ponta de orgulho,a…
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Paulo Henriques Britto – De “Três Epifanias Triviais”

As coisas que te cercam, até ondealcança tua vista, tão passivasem sua opacidade, que te impedemde enxergar o (inexistente) horizonte,que justamente por não serem vivasse prestam para tudo, e nunca pedem nem mesmo uma migalha de atenção,essas coisas que você usa e esqueceassim que larga na primeira mesa —pois bem: elas vão ficar. Você, não.Tudo que…
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Ada Limón – Viaduto

“Viaduto”, um poema de Ada Limon que revisita uma lembrança da infância para explorar a relação entre fascínio, natureza e mortalidade.