Tag: Morte
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Mary Oliver – Garças

Onde o caminho se encerrava, por entre folhas matizadas, galhos caídos, através de nodosas salsaparrilhas, eu continuei. Por fim, não pude salvar meus braços dos espinhos; logo os mosquitos sentiram meu cheiro, quente e ferido, e vieram girando e gemendo. E foi assim que cheguei na beira do lago: escuro e vazio exceto por um…
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Matthew Sweeney – As mariposas

As mariposas Ou o poema que começa com um verso de Diane Di Prima Na neve, as mariposas caminham rigidamente,elas nem ao menos tentam voar.Suas pegadas são cobertas à medida que são feitas,enquanto elas seguem umas às outras para casapelas frias colunas dos postes de iluminaçãopara esperar lá a chegada da luz.A cada crepúsculo há…
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César Cantoni – O Tempo Irreparável

Quem teria pensado nisso, então?O certo é que meu pai está mortocomo se nunca tivesse existido.Um dia congelaram suas mãos e os pés,e a casa se encheu de parentes,e minha mãe chorou, de joelhos, junto ao leito.Ainda me lembro. Meu pai está morto ou já não existe,e não basta agora saber que ele era feliz.Neste…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós,morreram meus tios de sangue e por afinidade.Uma família inteira de ferreiros,marceneiros, curtidores, pedreiros,jaz agora sem forças sob a terra. E eu, o mais inútil de todos,o que não sabe fazer nada com as mãos,consegui sobreviver impunementepara chorar diante de uma fotoo melhor do meu sangue. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO:…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Giuseppe Ungaretti – Vigília

“Vigília”, um poema de Giuseppe Ungaretti que transforma a noite ao lado do cadáver de um companheiro em revelação extrema: diante da morte brutal, o apego à vida torna-se absoluto.
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Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…
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Judith Hemschemeyer — Naquele verão

Naquele verãodepois que você se enforcousem perguntar a ninguém que o amavase eles podiam suportar dei por mim arrastando mangueirasregando cada centímetro desse imenso gramadodia após diaperfeito obcecadaincapaz de deixar mais alguma coisauma única folha de gramamorrer. Trad.: Nelson Santander That Summer That summer after you hanged yourself without asking anyone who loved you if…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Don Peterson – Compaixão

“Compaixão”, um poema de Don Peterson que transforma o adeus a um animal amado em gesto extremo de ternura, onde a morte se confunde com cuidado e fidelidade.