Li-Young Lee – Das flores

Das flores vem
este saco de papel pardo com os pêssegos
que compramos do menino
na curva da estrada onde dobramos em direção
às placas escritas Pêssegos.

Dos galhos carregados, das mãos,
da doce comunhão nas latas,
vem o néctar da beira da estrada, suculentos
pêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,
vem o pó familiar do verão, pó que comemos.

Ó!, levar no interior o que amamos,
carregar dentro de nós um pomar, comer
não só a pele, mas a sombra,
não só o açúcar, mas os dias, tomar
a fruta em nossas mãos, adora-la, e depois morder
o júbilo redondo do pêssego.

Há dias em que vivemos
como se a morte não fizesse parte
de nenhum cenário; de alegria
em alegria até a alegria, de asa em asa,
de flor em flor até a
impossível flor, a doce e impossível flor.

Trad.: Nelson Santander

From Blossoms

From blossoms comes
this brown paper bag of peaches
we bought from the boy
at the bend in the road where we turned toward
signs painted Peaches.

From laden boughs, from hands,
from sweet fellowship in the bins,
comes nectar at the roadside, succulent
peaches we devour, dusty skin and all,
comes the familiar dust of summer, dust we eat.

O, to take what we love inside,
to carry within us an orchard, to eat
not only the skin, but the shade,
not only the sugar, but the days, to hold
the fruit in our hands, adore it, then bite into
the round jubilance of peach.

There are days we live
as if death were nowhere
in the background; from joy
to joy to joy, from wing to wing,
from blossom to blossom to
impossible blossom, to sweet impossible blossom.

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