Categoria: Nelson Santander – Traduções
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J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeralde nossa amiga, causa da morte: um câncer nasentranhas do cérebro no interior da estrutura ósseaque dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludoà mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracospara segurar um pincel. Ele a…
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Matthew Olzmann – Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor

“Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor”, um poema de Matthew Olzmann que enumera, com humor e ternura, os gestos cotidianos e as excentricidades que sustentam um casamento, culminando no gesto simbólico de guardar uma garrafa de Mountain Dew como prova concreta e inesperada de amor.
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Werner Aspenström – Depois de ouvir Mozart o dia todo

As árvores se despem e se vestemrepetidamente,como em um casamento.Os gansos selvagens vão para o sul, e depois para o norte.Você conhece a natureza, conhece as artes.Como Mozart o socorre?O rebanho cinzento de pequenos estudantes se afastoupor sob as tíliase o rebanho cinzento de pequenos estudantes retornou.Música é tempo cultivado.O tempo não fecha as cicatrizes…
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Joaquin Zihuatanejo – Exame final para o meu pai

1. Verdadeiro ou falso. Na noite em que abandonou a mim e minha mãe você hesitou antes de segurar a maçaneta. 2. Se um ônibus deixa a cidade a 100 km por hora para lugar nenhum em particular, e um homem naquele ônibus deixou seu único filho para trás na escuridão dessa cidade, quantos quilômetros…
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Linda Pastan – O adeus de Dido

O adeus de Dido Incessante é a chuvaem minhas vidraças, e as velas se afogamem sua própria cera.Abandonados pela luz,até os filamentos de estrelasescurecem. Esta tardeescorei com estacassuas rosas encharcadas,elas agora lembram jovens meninasapoiadas em muletas. Você deixouum mapa parcialde sua mão direitaem cada maçaneta,e eu sigo de salaem sala, nômadeem minha própria casa,o coração…
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Li-Young Lee – Das flores

Das flores vemeste saco de papel pardo com os pêssegosque compramos do meninona curva da estrada onde dobramos em direção às placas escritas Pêssegos. Dos galhos carregados, das mãos,da doce comunhão nas latas,vem o néctar da beira da estrada, suculentospêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,vem o pó familiar do verão, pó que…
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Malena Mörling – Simplesmente iluminado

Muitas vezes, ao cair da tarde,depois de mais um dia, depois demais um ano de dias,no meia-luz, a caminho de casa,paro no mercadoe, aguardando na fila, me pegopensando nas pessoas. Pergunto-mese elas também se perguntam como é estranho que nós estejamosaqui na terra.E como, para viver, todos precisamos dormir.E como temos camas para isso(a menos…
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Javier Salvago – Canção para esse dia

Agora simjá se vêo porvir.Agora simé o fim que está aqui. Que esta é– agora sim –a vetustez:a aridez,não esperarnenhum trem. Agora simo naviovai partir.Sem saberse é o fimou o além. Acabou,não há maisshow.Cai a cortina,Diz adeuso ator. Agora simé o fimque está aqui.Agora simjá se vêo porvir. Trad.: Nelson Santander Canción para ese día…
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
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Matthew Sweeney – Crucificação

Eu cozinhava uma beterraba quando a campainha tocou.‘Quem será a essa hora?’, murmurei, marchandopara a porta. Quando a abri, o sol brilhavatanto que só vi silhuetas, mas discernique pairava sobre tudo uma grande cruz preta.Havia dois homens, um com cara de bode,o outro um sujeito enorme com um cigarrona boca e suor no rosto de…