Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Tyree Daye – Rio Neuse

Diga-lhes para não iremsozinhos às margens. Diga-lhes ondepodem beber sem olharpor cima dos ombros. Diga-lhes que o afogamentovem em terceiro na sua lista de preocupações.A primeira é deite-se, a segunda, venha cá.Mesmo a água em que fui batizadanão é segura. Eu sabia que Deusera homem porque ele pôsum bebê em Maria sem apermissão dela. Trad.:…
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Lisel Mueller – Há manhãs

Mesmo agora, quando o enredoexige que eu me torne pedra,o sol intervém. Em certas manhãsde verão saio de casae o céu se abree se derrama dentro de mimcomo se eu fosse uma santaprestes a morrer. Mas o enredoexige que eu viva,seja comum, não diga nadaa ninguém. Dentro de casaos espelhos ardem quando passo. Trad.: Nelson…
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W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Contemplando as estrelas, logo eu discirnoQue, por elas, eu posso ir para o inferno,Porém, na terra, a indiferença é o que menosTemos a temer, de animais e humanos Como seria se os astros de paixãoPor nós ardessem e disséssemos não?Se os afetos nunca podem ser iguaisPois que seja eu aquele que ama mais. Por mais…
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John Murillo – Variações sobre um tema de Elizabeth Bishop

Comece com a perda. Perca tudo. Então perca tudo outra vez.Perca uma boa mulher em um dia ruim. Encontre uma mulher melhor,e depois perca cinco amigos correndo atrás dela. Aprenda a perder como sesua vida dependesse disso. Aprenda que sua vida depende disso.Aprenda como se aprende caratê, ou a andar de bicicleta. Aprenda-o, domine-o.Perca dinheiro,…
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Timothy Liu – Os restos

Os restos —Wuxi, China Saindo do novo cemitério, meu paipega a minha mão, tendo acabado de reenterrar os restosde seu próprio pai e das duas esposas dele —aos dez anos, ele já perdera a mãe para a tuberculose. Ele pega a minha mão e diz: Agora posso morrer em pazmesmo sem termos conseguido os ossos…
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Jean Sprackland – Perdendo o escuro

Novembro, quando o dia deveria terminar mais cedocomo um livro maçante. Mas naquela tardeuma pequena nuvem em forma de ponto de interrogaçãopassou sobre o sol e se dissolveu.Seis horas; oito; dez. E a luz do diaainda inundava a rua espantada. Uma dádiva. Como uma daquelas noites de verãoem que nos sentamos, copo na mão,sob a…
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W. S. Merwin — Um aniversário

Algo continua e eu não sei como chamá-loembora o idioma esteja cheio de sugestõesem termos de linguagem mas elas todas são anônimase é quase seu aniversário música junto aos meus ossosnestas noites ouvimos os cavalos correndo na chuvaao parar a lua aparece e nós ainda estamos aquias goteiras no telhado continuam pingando depois que a…
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Sara Teasdale – Eu não sou tua

Eu não sou tua, e não estou perdida em ti,Não estou perdida embora deseje estarPerdida como uma vela acesa ao meio-dia,Perdida como um floco de neve no mar. Tu me amas, e eu ainda te consideroUma alma com brilho e beleza incontroversa,Contudo, eu sou eu, que anseia por estarPerdida como uma luz que na luz…
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Linda Pastan – Chegamos ao silêncio

Chegamos ao silêncio lentamente. Levados ao mundopor uma onda de som,mais tarde o deixamos de bocas fechadas,nossas línguas, pesadas como pedras para nos ancorarna terra. Agora ouvimoso vento nas folhas farfalhantes,um burburinho de águasobre as pedras,a batalha musicaldos pássaros.Considere a orelhaem forma de clave de fá,mas vazia.Considere os espaços entre as estrelas,solilóquios de luz.É quase…
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Faith Shearin – Cinzas, cinzas

O inverno é a morte pela qual todos temos esperado.Mesmo nas Festas, em que o ano novo é louvado,os galhos se quebram sob o peso da neve.Conhecemos esta estação como reconheceremos o fimde nossas vidas quando a vida estiver na metade.Os anos seguem o caminho dos dentes da infância: premidos tãoesperançosamente sob travesseiros limpos. Pele…