Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,sem falar em veículos e animais – tivesse,um belo dia, afundado? Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.Uma grande cidade certamente teria feito falta?Sinto falta da nossa velha cidade — pimenta-branca, morcela branca, você e…
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Czesław Miłosz – Encontro

Ao amanhecer, cruzávamos os campos congelados em uma carroça.Uma asa vermelha se ergueu da escuridão. E subitamente uma lebre atravessou a estrada.Um de nós apontou para ela com a mão. Isso foi há muito tempo. Hoje, nenhum deles vive, Nem a lebre, nem o homem que fez o gesto. Oh, meu amor, onde estão, para…
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Mary Oliver – Encontrando a raposa

Quando encontrei a raposa hoje – um ourotão vivo em seus olhos –nenhuma de nósse moveu, embora apenas uma de nós tenha sido imediatamente tomadade admiração. Suas patas estavamapoiadas em seu movimentode brusca parada, suas orelhas, para frente apontadas,a fim de ouvir como minha língua poderia ser,mas eu não dissenada, não havia palavra para a…
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Eiléan Ní Chuilleanáin – A serenata de Hofstetter

A serenata de Hofstetter(Máire Ní Chuilleanáin1 1944-1990) Senti a corrente de ar há pouco, enquanto digitava os números –a data de sua morte, ocorrida há vinte e cinco anos;estamos em maio, mas a noite clara está ficando mais fria,o denso fardo se abriu e a dor se disseminouao longo desses anos desconhecidos para ela2, e…
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Kerry Hardie – Navio da morte

para minha mãeObservando-a, pela primeira vez,virar-se para preparar o seu barco, minha mãe;quando ficou claro que você tinha outros assuntos agora —os assuntos do seu futuro —fui inundada pela raiva.Foi uma primeira sondagem,um olhar lançado sobre velas, remos, mastros,como aquele olhar experiente que muitas vezes viperscrutando a mesa farta.Como pode você planejar partir assimquando finalmente…
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Dan Gerber – No final de setembro

Certa estrela, da qual eu gostava,desapareceu. É possível queeu a tenha perdido. Esquecios nomes das nuvens e árvores e rostos, como canções das quaisremanesce apenas uma duradoura melodia.*Pequeno riacho,sob os salgueiros junto à minha cabana alugada —mais minha do que qualquer outra que eu possa possuir —,diga-me novamente o nome secretoque você murmura enquanto estou…
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J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeralde nossa amiga, causa da morte: um câncer nasentranhas do cérebro no interior da estrutura ósseaque dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludoà mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracospara segurar um pincel. Ele a…
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Matthew Olzmann – Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor

“Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor”, um poema de Matthew Olzmann que enumera, com humor e ternura, os gestos cotidianos e as excentricidades que sustentam um casamento, culminando no gesto simbólico de guardar uma garrafa de Mountain Dew como prova concreta e inesperada de amor.
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Werner Aspenström – Depois de ouvir Mozart o dia todo

As árvores se despem e se vestemrepetidamente,como em um casamento.Os gansos selvagens vão para o sul, e depois para o norte.Você conhece a natureza, conhece as artes.Como Mozart o socorre?O rebanho cinzento de pequenos estudantes se afastoupor sob as tíliase o rebanho cinzento de pequenos estudantes retornou.Música é tempo cultivado.O tempo não fecha as cicatrizes…
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Joaquin Zihuatanejo – Exame final para o meu pai

1. Verdadeiro ou falso. Na noite em que abandonou a mim e minha mãe você hesitou antes de segurar a maçaneta. 2. Se um ônibus deixa a cidade a 100 km por hora para lugar nenhum em particular, e um homem naquele ônibus deixou seu único filho para trás na escuridão dessa cidade, quantos quilômetros…