Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Louise Glück – Outubro

1. É inverno outra vez, faz frio outra vez, Frank não escorregou no gelo, ele não se curou, não se plantaram as sementes da primavera a noite não terminou, o gelo derretido não inundou as calhas estreitas meu corpo não foi resgatado, não era seguro não se formou a cicatriz, invisível sobre a lesão terror…
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Raquel Lanseros – A propósito de Eros

De todas as terrenas servidões que aprisionam meu afã neste cárcere confesso-me devedora da carne e de todos os seus íntimos vaivéns que me fazem mais feliz e menos livre. Às vezes, porém, a escravidão se mostra soberana e me sinto senhora do destino. Porque sei amar, porque provei da fruta e nunca maldisse o…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – O material do relâmpago

Calculaste em detalhes cada passo, sutil, há muitos séculos. Finalmente teu marido viajou e as crianças foram dormir com os avós. Estás agora sozinha e eufórica voltaste-te a se maquiar e vestiste-te de preto rigoroso e perfumaste tua mínima porção de lingerie. Estás tremendo, dizes a ti mesma, mas nada te fará voltar atrás. Olhas…
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Blas de Otero – Ímpeto

Mas nem tudo há de ser ruína e vazioE nem tudo escombro ou descongelação.Por cima deste ombro levo o céu,e por cima deste outro, um vasto rio de entusiasmo. E meu corpo no meio,árvore luzente gritando do chão.E, entre raízes mortais, sofreguidão,meu coração desperto, raio sombrio. Somente o anseio me vence. Mas avançosem duvidar, sobre…
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Mary Oliver – O quarto signo do zodíaco

1. Porque eu deveria ter ficado surpresa? Caçadores percorrem a floresta sem um som. O caçador, armado com seu rifle, a raposa com seus pés de seda, a serpente em seu império de músculos — todos se movem em silêncio, famintos, cuidadosos, atentos. Exatamente como o câncer entrou na floresta do meu corpo, sem um…
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Robert Hayden – Aqueles domingos de inverno

Também aos domingosmeu pai se levantava cedoe se vestia no frio azul escuro,depois, com as mãos rachadas doloridasdo trabalho ao relento durante a semana, fazia o fogo abafado arder. Nunca ninguém lhe agradeceu. Eu acordava e ouvia ofrio se estilhaçando, se partindo.Quando a casa já estava aquecida, ele me chamava,e lentamente eu me levantava e…
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Marisa de la Peña – O tempo que nos resta

“Somos o tempo que nos resta” J. M. Caballero Bonald. É isso o que somos: o tempo que nos resta, o último batimento interrompido, a palavra não dita, o deserto cruzado, e o caminho sem nome que deixamos para trás. Somos o abandono, a intempérie, as luzes apagadas, e as portas, fechadas para sempre, ao…
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Rubén Darío – Quando vieres a amar

“Quando vieres a amar”, um poema de Rubén Darío que apresenta o amor como experiência paradoxal de luz e sombra, felicidade e dor, afirmando sua natureza inevitável e a impossibilidade de viver plenamente sem ele.
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Juan Vicente Piqueras – Ristorante dal 1882–

Ristorante dal 1882–leio no cardápio e me ponho a pensarque numa noite, há mais de um século,numa noite igual a esta,houve um grupo de amigos que aqui jantou,como nós fazemos agora,e riram, conversaram, passaram o sal,mais ou menos felizes, fugazes, encantadosde estarem juntos rindocomo nós fazemos agora,e que nenhum deles vive maise agora somos nós,os…
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Alfonso Brezmes – Notas marginais

Leia “Notas marginais”, de Alfonso Brezmes, um poema delicado sobre memória, releitura e as transformações silenciosas provocadas pelo tempo.