Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Lawrence Ferlinghetti – Allen Ginsberg morrendo

Allen Ginsberg está morrendoEstá em todos os jornaisEstá no noticiário noturnoUm grande poeta está morrendoMas sua voznão vai morrerSua voz está na terraNo Baixo Manhattanna sua camaele está morrendoNão há nadaa fazer sobre issoEle está morrendo a morte que todos enfrentamEle está morrendo a morte do poetaEle tem um telefone em sua mãoe liga para…
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Billy Collins – Esquecimento

O nome do autor é o primeiro a desaparecerseguido obedientemente pelo título, a trama,a conclusão comovente, o romance inteiroque subitamente se torna algo que você nunca leu,nunca sequer ouviu falar, como se, uma a uma, as memórias que você costumava abrigardecidissem se aposentar no hemisfério sul do cérebro,em uma pequena aldeia de pescadores onde não…
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Joan Margarit – No museu

Agacha-se junto ao menino e aponta para o quadro.Com um gesto solene, comprime o punhoe tenta explicar a força queacredita ver na pintura.Esta velha obsessão de transmitiraos pequenos nossos pobres recursos.Atento, o menino observa com temor.Talvez pressinta a solidão que se ocultanos gestos, na retórica da arte.Temos sempre a verdade diante de nós,mas, assim como…
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Michael Krüger – Discurso do homem lento

A história acelera,logo nos alcança,precedendo-nos com passos ligeiros.Vemos então por trása Era Glacial, Grécia,Roma, a Revolução francesa,a nuca de Stalin, as luzes traseirasdo carro de Hitler.Estranho que não se cansenem esmoreça.Às vezes se virae nos mostra sua caracom a boca escancaradae os dentes podres. Trad.: Nelson Santander (a partir de tradução para o italiano feita…
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Louise Glück – Under Taurus

Estávamos no píer, e você desejavaque eu visse as Plêiades. Eu podia vertudo, menos o que você desejava. Agora o seguirei. Não há uma única nuvem; as estrelasaparecem, até mesmo a irmã invisível. Mostre-me onde olhar,como se elas fossem ficar onde estão. Instrua-me na escuridão. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência.…
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Roberto Juarroz – Assim como não podemos

Assim como não podemossustentar por muito tempo um olhar,tampouco podemos sustentar por muito tempo a alegria,a espiral do amor,o gratuidade do pensamento,a terra em suspensão no cântico. Não podemos sequer sustentar por muito tempoas proporções do silêncioquando algo o visita.E menos aindaquando nada o visita. O homem não pode sustentar por muito tempo o homem,nem…
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Merrit Malloy – Epitáfio

Quando eu morrerDoa o que restar de mimÀs criançasE aos idosos que esperam para morrer. E se precisares chorar,Chora por teu irmãoQue caminha pela rua ao teu lado.E quando precisares de mim,Põe teus braçosEm volta de alguémE dá-lhe o que tens a me oferecer. Quero deixar-te algo,Algo melhorQue palavrasOu sons. Busca por mimNas pessoas que…
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José Emílio Pacheco – Crianças e adultos

Aos dez anos, acreditavaque o mundo era dos adultos.Podiam fazer amor, fumar, beber à vontade,ir aonde quisessem.Sobretudo, nos esmagar com seu poder indomável. Agora sei, por vasta experiência, o lugar-comum:em verdade, não há adultos,apenas crianças envelhecidas. Desejam o que não têm:o brinquedo do outro.Sentem medo de tudo.Obedecem sempre a alguém.Não governam a própria existência.Choram por…
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Juan Vicente Piqueras – Papoulas

No antigo campo de batalha onde morreram milhares de meninos cresce novamente o trigo, salpicado aqui e ali de ardentes papoulas. E dois amantes, que terão mais ou menos a idade dos soldados que aqui então morreram, hoje fazem amor no semeado. Deitam o trigo. Calcam as papoulas. Trad.: Nelson Santander Amapolas Sobre el antiguo…
