Categoria: Nelson Santander – Traduções
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May Swenson – Indagações

Corpo minha casameu cavalo meu cão de caçao que fareiquando você tombar? Onde vou dormirComo vou cavalgarO que vou caçar Onde posso irsem minha montariarápida e impaciente?Como sabereise na mata à frentehá perigo ou tesouroquando Corpo meu bomcão vivaz estiver morto Como serájazer no céusem teto ou portae vento por visão Com nuvem como camisolacomo…
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Mary Oliver – A jornada

Um dia você finalmente soubeo que precisava fazer e começou,embora as vozes à sua voltacontinuassem gritandoseus maus conselhos –embora a casa todacomeçasse a tremere você sentisse o velho apeloem seus tornozelos.“Remende minha vida!”,cada voz clamava.Mas você não parou.Você sabia o que precisava fazer,embora o vento tateassecom seus dedos rijosas próprias fundações,e embora a melancolia delesfosse…
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William Stafford – O sonho de agora

Quando acorda, da noite e dos outros sonhos, para o sonho de agora, você conduz o dia para fora das trevas como a uma chama. Quando a primavera acontece no norte e as flores desabrocham no solo e até adormecem, você alteia o verão com sua respiração para que ele não se perca jamais tão…
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Mary Oliver – Gansos selvagens

Você não precisa ser bom.Você não precisa atravessar o deserto de joelhos,por cem milhas, em penitência.Você só precisa deixar o suave animal do seu corpoamar o que ele ama.Fale-me sobre o desespero, o seu, e eu lhe direi o meu.Enquanto isso, o mundo continua.Enquanto isso, o sol e os translúcidos seixos da chuvamovem-se por entre…
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Juan Vicente Piqueras – A sala vazia

a Carlos Edmundo de Ory Era um de teus jogos favoritos.O que há em uma sala vazia?, perguntavas. Guardávamos silêncio. O que há em uma sala vazia? Os que não conheciam o jogoàs vezes diziam: nada, e tu dizias: não. Nada é nada, e eu disse o quê. Até que alguém dizia, por exemplo: silêncio.E…
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Raquel Lanseros – Oração

Que não cresça jamais em minhas entranhasessa paz aparente chamada ceticismoFuja eu do amargor, do cinismo, da imparcialidade de ombros encolhidos.Creia eu sempre na vidaCreia eu sempre nas mil infinitas possibilidades.Que me enganem os cantos das sereias,que minha alma guarde sempre um toque de ingenuidade.Que nunca se pareça minha pelecom a de um imóvel e…
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Camille Dungy – Para entrar em nossa própria casa vazia

Ela estava com sete anos quando paramosde usar chaves. Menos uma coisa para se perder.Agora nós usamos uma senha —simples, mas espero que não tão simples queum estranho possa adivinhar. É aqui queeu deveria parar. Eles se veriam obrigadosa ficar irritados — meus amados.Estou revelando todos os nossos segredosnovamente. Esta vulnerabilidadeé a raiz de muita…
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Juan Vicente Piqueras – Visível e Invisível

(Para os amigos que ainda estão vivos, mas desapareceram, onde quer que estejam, com um abraço póstumo) As pessoas tendem a desaparecer. Um dia te fazem rir e no seguinte já não estão. Um dia te ligavam todos os diaspara saber como estavas,e agora já nem te lembras de suas vozes. Um dia disseram sempree sempre acabou…
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Sharon Olds – Uma semana depois

Uma semana depois, eu disse a um amigo: acho quenunca poderia escrever sobre isso.Talvez daqui a um ano eu consiga escrever alguma coisa.Há algo em mim que talvez algumdia possa ser escrito; por ora está dobrado, e redobrado,como um bilhete da escola. E em meu sonhoalguém jogava jacks, e no ar havia umjack arremessado, enorme,…
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William Stafford – Uma cópia de arquivo

Deus tira seu retrato: não desvie o olhar –agora, neste quarto, seu rosto inclinadoexatamente como é, antes de você pensarou controla-lo. Vá em frente, deixe-se trair portodas as urgências secretas e ainda mantenhaaquele disfarce parcial que você chama de caráter. Mesmo o seu lábio, dizem, o modo como ele arqueiaou não, ou hesita, entregarávolumes de…