Lisel Mueller – Quando me perguntam

Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntam
como comecei a escrever poemas,
eu falo da indiferença da natureza.

Foi logo depois que minha mãe morreu,
um dia radiante de junho
em que tudo florescia.

Sentei-me em um banco de pedra cinza
em um jardim carinhosamente cultivado,
mas os lírios eram tão surdos
quanto os bêbados adormecidos
e as rosas se curvavam para dentro.
Nada estava de preto ou quebrado,
e nem uma folha caiu
e o sol alardeava infindos comerciais
de férias de verão.

Sentei-me em um banco de pedra cinza
cercado das ingênuas faces
das não-me-toques cor-de-rosa e brancas
e depositei minha dor
na boca da linguagem,
a única coisa que sofreria comigo.

Trad.: Nelson Santander

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When I am asked

When I am asked
how I began writing poems,
I talk about the indifference of nature.

It was soon after my mother died,
a brilliant June day,
everything blooming.

I sat on a gray stone bench
in a lovingly planted garden,
but the day lilies were as deaf
as the ears of drunken sleepers
and the roses curved inward.
Nothing was black or broken
and not a leaf fell
and the sun blared endless commercials
for summer holidays.

I sat on a gray stone bench
ringed with the ingenue faces
of pink and white impatiens
and placed my grief
in the mouth of language,
the only thing that would grieve with me.

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