Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Hugo Vera Miranda – Os cavaleiros do apocalipse

Como defender-se dos furtivos invernos que aninham as moradas obscuras do desejo? Como voltar por um instante ao tempo feroz da infância onde um velho com cara de sapo solta pombas enquanto o trem passa? Como decifrar a carícia longínqua que agora atormenta a insônia? Vamos ficando sozinhos, cercados por demônios dançarinos e um tiro…
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Joan Margarit – Noite escura na rua Balmes

Cumpridas as ameaças e temores — hoje já todas as ruas levam à velhice —, passo defronte à clínica em que tu nasceste, vinte e seis anos atrás, em uma noite de corredores feridos pela luz. Aqui foi a tua chegada, pequena e indefesa, à praia feliz do teu sorriso, à dificuldade da palavra, às…
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Marianne Moore – Uma água-viva

Visível, invisível, uma flutuante sedução que uma ametista cor de âmbar habita, se aproximam seus tentáculos, abrem e fecham; você pretendia pega-los e eles tremem; você abandona este intento. Trad.: Nelson Santander A Jelly-Fish Visible, invisible, a fluctuating charm an amber-tinctured amethyst inhabits it, your arm approaches and it opens and it closes; you had…
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Eloy Sánchez Rosillo – O segredo

Se por acaso a alegria se assuste e se apresse em me deixar, eu a escondo das pessoas e não digo a ninguém que veio à minha casa depois de muito tempo. Falo com ela, e com frequência vê-la de novo tão próxima me faz chorar, e rio. Depois a deixo sozinha e vou para…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Naquele agora

As chances de encontrar-te novamente eram remotas. Uma em um bilhão. E havendo infinitos lugares dispersos pelos números de um cálculo improvável, quem imaginaria que eu te veria naquela cantina, transformando-te na luz daqueles tempos felizes, ou isso quiseram crer, anos atrás, aqueles dois que fomos. Estavas ali, de repente e sem aviso prévio, com…
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Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta.…
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A Íris Selvagem, de Louise Glück

Há livros que não se deixam atravessar como uma sequência de poemas isolados. A Íris Selvagem, de Louise Glück, é um deles. O livro se passa num jardim, mas esse jardim não é cenário. É um lugar de vozes. Flores falam. Uma consciência humana pergunta, insiste, se cansa. Uma presença divina responde, se afasta, corrige,…
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Louise Glück – Os lírios brancos

Como um homem e uma mulher fazemde um jardim entre elesum leito de estrelas, aquieles permanecem na noite de verãoe a noite se tornafria com seu pavor: tudopode acabar, tudo é capazde devastação. Tudo, tudose pode perder, pelo ar perfumadodas colunas estreitasse elevando inutilmente, e mais além,um agitado mar de papoulas — Silêncio, amada. Não…
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Louise Glück – O lírio dourado

Como percebo,estou morrendo agora e seique não falarei novamente,não sobreviverei à terra, serei convocadodela uma vez mais, ainda nãouma flor, apenas uma espinha, terra cruaaderindo às minhas costelas, eu o invoco,pai e mestre: ao redor,meus companheiras estão fraquejando, pensandoque você não os vê. Comoeles poderão saber que você os enxergaa menos que os salve?No crepúsculo…
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Louise Glück – Crepúsculo de Setembro

Eu os reuni,eu posso dispensa-los — Estou farto de vocês, do caosdo mundo dos vivos —Eu só posso me estenderpor tanto tempo a algo vivo. Convoquei-os à existênciaao abrir minha boca, ao erguermeu dedo mínimo, cintilando azuis deaster selvagem, florde lírio, imensa,com veias douradas — Vocês vêm e vão; eventualmenteesqueço seus nomes.Vocês vêm e vão,…