Tag: Tempus Fugit
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Mario Quintana – Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.Agora todos os caminhos vêm.A casa é acolhedora, os livros poucos.E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 10/01/2018
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Deborah Pope – Passando

Como um carro engatado,uma galinha estúpida demais para perceberque sua cabeça se foi,ou aquele som que não cessamesmo depois do filmeter caído da bobina,um telefonetocando e tocandona casa de onde todosse mudaram,através de salas onde o póse aprofunda em camadas,e o cadeado é desnecessário,assim eu continuo te amando,meu coração claudicando,um músculo entornandoo que não é…
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Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhãfoi um rápido bater de asas, suave, insistente — asas contra o vidro, como descobrilá embaixo, quando vi o pequeno pássaroamotinando-se na moldura de umajanela alta, tentando lançar-se através do enigma do vidro para a vastidão da luz. Então, um som da garganta do gatoque estava acocorado sobre o…
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Louis Macneice – O observador de estrelas

Quarenta e dois anos atrás (para mim, se não para mais ninguém,O número é de algum interesse), fazia uma noite brilhante e estreladaE o expresso para o ocidente, sem cabines, ia vazio,De modo que, saltando de um lado para outro, eu podia capturar a insólita visãoDaquelas fendas quase intoleravelmenteBrilhantes, cravadas no céu, que me fascinavam,…
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Thomas Lux – As pessoas da outra aldeia

odeiam as pessoas desta aldeiae pregariam nossos chapéusàs nossas cabeças por nos recusarmos a tirá-los em sua presençaou grampeariam nossas mãos às nossas testaspor nos recusarmos a saudá-losse não os feríssemos primeiro: enviamos-lhes pacotes de ratose, à noite, misturamos vidro moído à sua farinha.Nós fazemos isto, eles, aquilo.Eles arrancam a laringe da garganta de um…
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Ellen Bass – Matrimônio

Quando, depois de uma grave enfermidade, vocêfinalmente estende todo o comprimento do seu corpo sobre o meu, não é como os estratos da terra, a pressãodo tempo sobre a areia, a lama, fragmentos de conchas, todosesses anos, incontáveis despertares e adormeceres,noites em claro, brigas, manhãs banaisfalando de nada, e os brevesmergulhos ardentes, e o silênciosem…
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Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,sem falar em veículos e animais – tivesse,um belo dia, afundado? Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.Uma grande cidade certamente teria feito falta?Sinto falta da nossa velha cidade — pimenta-branca, morcela branca, você e…
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Ana Martins Marques – Penélope (I)

Leia “Penélope (I)”, de Ana Martins Marques, um poema inspirado na mitologia clássica que explora o tempo, a espera e o constante desfazer da experiência humana.
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Gillian Clarke – Advento

Tempos sombrios. Dezembro.O eixo da terra inclinadoe os minutos caem do diaum pouco de cada vez. Assim, dormimos além da escuridão,sonâmbulos das horas cinzentas.Impossível crer na luz,ou em um nascimento, até esta alvorada invernal, a raposavoltando para casa com sangue na boca,todos os elementos químicos da aurora em seus olhos,e o céu abismado. Trad.: Nelson…