Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

                    a Roniwalter Jatobá 

Vamos beber qualquer coisa,
que a vida está um deserto
e o coração só me pulsa
sombras de Ido e do Incerto.

Vamos beber qualquer coisa,
que a lua avança no mar
e há salobros fantasmas
que não quero visitar.

Vamos beber qualquer coisa
amarga, rascante, rude,
brindando sobre o já frio
cadáver da juventude.

Vamos beber qualquer coisa.
O que for. Vamos beber.
Mesmo porque não há mais
o que se possa fazer.

REPUBLICAÇÃO: poema publicado originalmente em 08/12/2017

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