Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhã
foi um rápido bater de asas, suave, insistente —

asas contra o vidro, como pude descobrir
lá embaixo, quando vi o pequeno pássaro
amotinando-se contra a esquadria de uma
janela alta, tentando lançar-se através
do enigma do vidro para a vasta luminosidade.

Então, um som da garganta do gato
que estava acocorado sobre o tapete
me contou como o pássaro tinha entrado,
transportado na noite fria
através do acesso na porta do porão,
e mais tarde libertado do aperto suave dos dentes.

Sobre uma cadeira, aprisionei suas pulsações
em uma camisa e o levei até a porta,
tão leve que parecia
ter desaparecido no ninho de tecido.

Mas lá fora, quando abri minhas mãos,
ele se arremessou para o seu elemento,
mergulhando sobre o jardim adormecido
em um espasmo de batidas de asas e
depois desapareceu sobre uma fileira de altas acácias.

Pelo resto do dia,
pude sentir sua vibração selvagem
contra as palmas das mãos enquanto me perguntava sobre
as horas que ele deve ter passado
confinado nas sombras daquela sala,
escondido nos ramos pontiagudos
de nossa árvore decorada, respirando ali
entre os anjos metálicos, maçãs de louça, estrelas de vime,
seus olhos abertos, como os meus, deitado na cama esta noite
imaginando este raro e afortunado pardal
abrigado agora em um arbusto de azevinho,
uma neve suave caindo através da escuridão sem vento.

Trad.: Nelson Santander

Christmas Sparrow

The first thing I heard this morning
was a rapid flapping sound, soft, insistent—

wings against glass as it turned out
downstairs when I saw the small bird
rioting in the frame of a high window,
trying to hurl itself through
the enigma of glass into the spacious light.

Then a noise in the throat of the cat
who was hunkered on the rug
told me how the bird had gotten inside,
carried in the cold night
through the flap of a basement door,
and later released from the soft grip of teeth.

On a chair, I trapped its pulsations
in a shirt and got it to the door,
so weightless it seemed
to have vanished into the nest of cloth.

But outside, when I uncupped my hands,
it burst into its element,
dipping over the dormant garden
in a spasm of wingbeats
then disappeared over a row of tall hemlocks.

For the rest of the day,
I could feel its wild thrumming
against my palms as I wondered about
the hours it must have spent
pent in the shadows of that room,
hidden in the spiky branches
of our decorated tree, breathing there
among the metallic angels, ceramic apples, stars of yarn,
its eyes open, like mine as I lie in bed tonight
picturing this rare, lucky sparrow
tucked into a holly bush now,
a light snow tumbling through the windless dark.

Um comentário sobre “Billy Collins – Pardal de Natal

  1. […] 66. Billy Collins – Pardal de Natal A primeira coisa que ouvi esta manhã foi um rápido bater de asas, suave, insistente — asas contra o vidro, como pude descobrir lá embaixo, quando vi o pequeno pássaro amotinando-se contra a esquadria de uma janela alta, tentando lançar-se através do enigma do vidro para a vasta luminosidade (…) […]

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