Tag: Tempus Fugit
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Sara Teasdale – Eu não sou tua

Eu não sou tua, e não estou perdida em ti,Não estou perdida embora deseje estarPerdida como uma vela acesa ao meio-dia,Perdida como um floco de neve no mar. Tu me amas, e eu ainda te consideroUma alma com brilho e beleza incontroversa,Contudo, eu sou eu, que anseia por estarPerdida como uma luz que na luz…
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Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou.Minha mãe casou e mudou.Vovó morreu.Os irmãos sumiram no mundoou submundo.Sem explicaçãoYvonne nunca mais falou comigoe, para Ronaldo,sou fantasma do passado.Vejo meus filhos já voando.Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 26/03/2017
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Dennis O’Driscoll – Fora de controle

Preocupem-se, mães: vocês têmboas razões para perder o sono,para deixar a imaginação correr soltaenquanto se deitam na cama, sem contar carneirosmas vendo filhos e filhaslevados para o abate como cordeirosna carnificina das noites de sexta. Fiquem de prontidão, mães –nunca se sabe sua sorte –para a batida que quebraria o silêncio como o choquede um…
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Annie Dillard – Como consumimos nossos dias

Como consumimos nossos diasé, evidentemente,como consumimos nossas vidas. O que fazemos com esta hora,e com aquela,é aquilo que fazemos. Um calendárioprotege do caos e do arbítrio. É uma redepara capturar dias.É um andaime sobre o qual um trabalhadorpode ficar em pée laborar com ambas as mãos em espaços de tempo.Um calendário é uma maqueteda razão…
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Jim Harrison – Água

Antes de nascer eu era água.Pensei nisso sentado em uma cadeiraazul cercado por malvas rosas, vermelhas,e brancas no jardim em frenteao meu estúdio verde. Há conclusões aquia tirar, mas eu não posso mais fazer isso. O homem nasce, cresce, canta, dança, ama, envelhece,agoniza. Isto é um rio circulare nós somos seus peixes que se tornam água. Trad.:…
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Gary Snyder – Dezembro em Yase

Naquele Outubroem que escolheu ser livrena grama alta e seca junto ao pomarvocê disse “quem sabe um dia, talvez daqui a dez anos”. Terminada a universidade te visó mais uma vez. Você estava estranha.E eu obcecado com um projeto. Agora se passaram os tais dez anose até mais um pouco: eu sempre soubeonde você estava…
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Pat Boran – Desde que você se foi…

Desde que você se foi… os dias aprenderam um novo idioma,as noites falam em línguas – as vozes da chuva na janela do quarto, do vento sussurrando na rua varrida pela chuva, os canos da casa chamando,tina após tina de água. A perda descobre novas cançõesem antigos instrumentos. Trad.: Nelson Santander Since You Left… the…
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Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…
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Wislawa Szymborska – Retornos

Voltou. Não disse nada.Mas estava claro que teve algum desgosto.Deitou-se vestido.Cobriu a cabeça com o cobertor.Encolheu as pernas.Tem uns quarenta anos, mas não agora.Existe – mas só como na barriga da mãena escuridão protetora, debaixo de sete peles.Amanhã fará uma palestra sobre a homeostasena cosmonáutica metagaláctica.Por ora dorme, todo enrodilhado. Trad.: Regina Przybycien REPUBLICAÇÃO: poema…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…