Tag: Luto
-
John Donne – Em despedida: proibindo o pranto

Republicação: “Em despedida: proibindo o pranto”, poema de John Donne, em tradução de Augusto de Campos
-
Adriano Nunes – Cantar é preciso

para Antonio Cicero Cantar é preciso, Ainda que seja O vazio, o nada, A tristeza, a perda, O que quer que até Alcance a cabeça. Cantar e cantar, Mesmo que depois O existir se perca Na eterna estranheza Da cantiga, para Que o agora exerça A sua potência De luz, porque já Pouquíssimo importa Senão…
-
Camille Dungy – Para entrar em nossa própria casa vazia

Ela estava com sete anos quando paramosde usar chaves. Menos uma coisa para se perder.Agora nós usamos uma senha —simples, mas espero que não tão simples queum estranho possa adivinhar. É aqui queeu deveria parar. Eles se veriam obrigadosa ficar irritados — meus amados.Estou revelando todos os nossos segredosnovamente. Esta vulnerabilidadeé a raiz de muita…
-
Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntamcomo comecei a escrever poemas,eu falo da indiferença da natureza. Foi logo depois que minha mãe morreu,um dia radiante de junhoem que tudo florescia. Sentei-me em um banco de pedra cinzaem um jardim carinhosamente cultivado,mas os lírios eram tão surdosquanto os bêbados adormecidose as rosas se curvavam para dentro.Nada estava de preto ou…
-
Louise Glück – Abril

O desespero de mais ninguém é como o meu desespero — Vocês não têm lugar neste jardimpensando em tais coisas, emitindocansativos sinais exteriores; o homemdesmatando intencionalmente uma floresta inteira,a mulher mancando e se recusando a trocar de roupasou lavar os cabelos. Acham que eu me importose vocês conversarem um com o outro?Mas quero que saibamque…
-
Louise Glück – Fim de inverno

Sobre o mundo ainda, um pássaro cantadespertando solitário entre ramos escuros. Vocês desejaram nascer; eu permiti que nascessem.Quando minha dor alguma vezinterferiu em seu prazer? Mergulhandona escuridão e na luz ao mesmo tempo,sedentos por sensações como se fossem algo novo, querendose expressar com todo brilho, toda vivacidade nunca imaginandoque isso lhes custaria algo,nunca concebendo o…
-
Manuel António Pina – Todas as palavras

As que procurei em vão, principalmente as que estiveram muito perto, como uma respiração, e não reconheci, ou desistiram e partiram para sempre, deixando no poema uma espécie de mágoa como uma marca de água impresente; as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te nem foram capazes de dizer-me; as que calei por serem muito…
-
Nuno Júdice – Nostalgia de setembro

Quando vinham as nuvens de setembro, já os pássaros tinham emigrado para além dos mares, o campo ficava em longos silêncios que só a passagem dos rebanhos, a caminho do matadouro, cortava num tropel que ecoava ainda, depois da paisagem, com os gritos do pastor e o ladrar dos cães. Eu gostava dessas nuvens quando…
-
Albano Martins – Haicais

Juncos em movimento.Os cabelos da águapenteados pelo vento. *Num frutosazonado é o tempoque amadurece. *Romãs: as últimasbrasas do incêndiodo verão. *Maçã – disse a criança.E era apenas o soldependurado nos ramos. *Morango. O frágilCoração da terralevado à boca. *O mel no frasco:exposto, para consumo,o suor da abelha. *Mais cedo ou mais tardeo silêncio viráperguntar por…
