Tag: Luto
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Louise Glück – Abril

O desespero de mais ninguém é como o meu desespero — Vocês não têm lugar neste jardimpensando em tais coisas, emitindocansativos sinais exteriores; o homemdesmatando intencionalmente uma floresta inteira,a mulher mancando e se recusando a trocar de roupasou lavar os cabelos. Acham que eu me importose vocês conversarem um com o outro?Mas quero que saibamque…
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Louise Glück – Fim de inverno

Sobre o mundo ainda, um pássaro cantadespertando solitário entre ramos escuros. Vocês desejaram nascer; eu permiti que nascessem.Quando minha dor alguma vezinterferiu em seu prazer? Mergulhandona escuridão e na luz ao mesmo tempo,sedentos por sensações como se fossem algo novo, querendose expressar com todo brilho, toda vivacidade nunca imaginandoque isso lhes custaria algo,nunca concebendo o…
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Manuel António Pina – Todas as palavras

As que procurei em vão, principalmente as que estiveram muito perto, como uma respiração, e não reconheci, ou desistiram e partiram para sempre, deixando no poema uma espécie de mágoa como uma marca de água impresente; as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te nem foram capazes de dizer-me; as que calei por serem muito…
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Nuno Júdice – Nostalgia de setembro

Quando vinham as nuvens de setembro, já os pássaros tinham emigrado para além dos mares, o campo ficava em longos silêncios que só a passagem dos rebanhos, a caminho do matadouro, cortava num tropel que ecoava ainda, depois da paisagem, com os gritos do pastor e o ladrar dos cães. Eu gostava dessas nuvens quando…
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Albano Martins – Haicais

Juncos em movimento.Os cabelos da águapenteados pelo vento. *Num frutosazonado é o tempoque amadurece. *Romãs: as últimasbrasas do incêndiodo verão. *Maçã – disse a criança.E era apenas o soldependurado nos ramos. *Morango. O frágilCoração da terralevado à boca. *O mel no frasco:exposto, para consumo,o suor da abelha. *Mais cedo ou mais tardeo silêncio viráperguntar por…
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Charles Bukowski – Até

Nós temos que viver com a perda e talvez jogar com uma mão de cartas ruim e nós sabemos o tempo todo qual é o placar. Nós o suportamos como Hemingway ou o descartamos como Camus mas nós sabemos nós sabemos. É assim que funciona e damos corda no relógio e esperamos pela madrugada ou…
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Rainer Maria Rilke – A nós nos cabe andar

I.22 A nós, nos cabe andar. Mas o tempo, os seus passos, são mínimos pedaços do que há de ficar. É perda pura tudo o que é pressa; só nos interessa o que sempre dura. Jovem, não há virtude na velocidade e no voo aonde for. Tudo é quietude: escuro e claridade, livro e flor.…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nada lhes pediu, o que um dia levam embora; e se não foi pedida a coisa dada não cabe se queixar da perda agora. Mas não ter tido nunca nada, não seria bem melhor — ou menos mau? Mesmo sabendo que uma solidão completa era o capítulo final,…
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Paulo Henriques Britto – de “Dez Sonetóides Mancos”

IV Também já estive aí, no não lugar onde você agora não se encontra. Também não me encontrei. Aliás, foi justamente contra a tal necessidade de seguir alguma rota que jurei lutar. Lutei, perdi, e pronto: agora estou aqui, a alguns centímetros do meu próprio umbigo Se tudo correr bem, também a tua derrota vai…
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Paulo Henriques Britto – Circular

Neste mesmo instante, em algum lugar, alguém está pensando a mesma coisa que você estava prestes a dizer. Pois é. Esta não é a primeira vez. Originalidade não tem vez neste mundo, nem tempo, nem lugar. O que você fizer não muda coisa alguma. Perda de tempo dizer O que quer que você tenha a…