Louise Glück – Fim de inverno

Acima do mundo imóvel, um pássaro canta
despertando solitário entre ramos escuros.

Vocês queriam nascer; eu deixei vocês nascerem.
Quando é que a minha dor alguma vez
atrapalhou o seu prazer?

Mergulhando de cabeça
na escuridão e na luz ao mesmo tempo
ávidos por sensações

como se vocês fossem algo de novo, querendo
se expressar

com todo brilho, toda vivacidade

nunca achando
que isso lhes custaria algo,
nunca imaginando o som da minha voz
como outra coisa mas parte de vocês –

vocês não a ouvirão no outro mundo,
não com a mesma clareza,
não no grito dos pássaros ou no humano lamento,

não o som claro, somente
um eco persistente
em todos os sons que significa adeus, adeus –

a única linha contínua
que nos une, eu e vocês.

Trad.: Nelson Santander

End of winter

Over the still world, a bird calls
waking solitary among black boughs.

You wanted to be born; I let you be born.
When has my grief ever gotten
in the way of your pleasure?

Plunging ahead
into the dark and light at the same time
eager for sensation

as though you were some new thing, wanting
to express yourselves

all brilliance, all vivacity

never thinking
this would cost you anything,
never imagining the sound of my voice
as anything but part of you —

you won’t hear it in the other world,
not clearly again,
not in birdcall or human cry,

not the clear sound, only
persistent echoing
in all sound that means goodbye, goodbye —

the one continuous line
that binds us to each other.

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