Tag: Luto
-
Finn Butler – Marinho

Todos os que o amedrontam são sessenta e cinco por cento água.E todos os que você ama são feitos de poeira estelar, e eu sei queàs vezesvocê nem consegue respirar profundamente,o céu noturno não é seu lar evocê já chorou sozinho até dormir tantas vezesque chegou aos seus últimos dois por cento, mas nada é…
-
Frances Leviston – Todo animal faz um som, exceto nós

Agostoe os cordeirosforam levados de suas mães.O dia todo elas emitem seus humanos lamentosatravés da cerca da fazenda até a lagoa da orelha de um fazendeiroe ao longo da lama pela nunca esquecidanecessidade de expressar o que foi perdido –a fala visceral, incontornável,a fala naufragada,a perda. Trad.: Nelson Santander Every Animal has a Noise Except…
-
Rainer Maria Rilke – A nós nos cabe andar

I.22 A nós, nos cabe andar.Mas o tempo, os seus passos,são mínimos pedaçosdo que há de ficar. É perda puratudo o que é pressa;só nos interessao que sempre dura. Jovem, não há virtudena velocidadee no voo aonde for. Tudo é quietude:escuro e claridade,livro e flor. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…
-
Elizabeth Bishop – A Arte de Perder

A arte de perder não é nenhum mistério;Tantas coisas contêm em si o acidenteDe perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,A chave perdida, a hora gasta bestamente.A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério:Lugares, nomes, a escala subseqüenteDa viagem não…
-
Pat Boran – Desde que você se foi…

Desde que você se foi… os dias aprenderam um novo idioma,as noites falam em línguas – as vozes da chuva na janela do quarto, do vento sussurrando na rua varrida pela chuva, os canos da casa chamando,tina após tina de água. A perda descobre novas cançõesem antigos instrumentos. Trad.: Nelson Santander Since You Left… the…
-
Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
-
Paulo Henriques Britto – Circular

Neste mesmo instante, em algum lugar,alguém está pensando a mesma coisaque você estava prestes a dizer.Pois é. Esta não é a primeira vez. Originalidade não tem vezneste mundo, nem tempo, nem lugar.O que você fizer não muda coisaalguma. Perda de tempo dizer O que quer que você tenha a dizer.Mesmo parecendo que desta vezalgo de…
-
Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

V Céu azul. Cores vivas. Você rindode alguma coisa ou alguém que está à esquerdado fotógrafo. É talvez domingo.É claro que essa sensação de perda não está na foto, não – não está na imagemextremamente, absurdamente nítida.E se fosse menor a claridade,ou se estivesse sem foco, ou tremida, ou se fosse em sépia, ou preto…
-
Alan Jenkins – Pertences

Leia Pertences, de Alan Jenkins, um poema comovente sobre luto, memória familiar e os vestígios materiais deixados pelos mortos.
-
Robert Frost – Nada que é de ouro pode permanecer

No mundo, o ouro é o verde elementar,Sua matiz mais difícil de conservar.A flor é a sua inaugural semente;Não obstante por um instante somente. Depois, folha desaparece sob folha.E assim, no pesar o Paraíso mergulha,E a aurora se transforma em amanhecer.Nada que é de ouro pode permanecer. Trad.: Nelson Santander Nothing gold can stay Nature’s…