Tag: Luto
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Paulo Henriques Britto – Circular

Neste mesmo instante, em algum lugar,alguém está pensando a mesma coisaque você estava prestes a dizer.Pois é. Esta não é a primeira vez. Originalidade não tem vezneste mundo, nem tempo, nem lugar.O que você fizer não muda coisaalguma. Perda de tempo dizer O que quer que você tenha a dizer.Mesmo parecendo que desta vezalgo de…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

V Céu azul. Cores vivas. Você rindode alguma coisa ou alguém que está à esquerdado fotógrafo. É talvez domingo.É claro que essa sensação de perda não está na foto, não – não está na imagemextremamente, absurdamente nítida.E se fosse menor a claridade,ou se estivesse sem foco, ou tremida, ou se fosse em sépia, ou preto…
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Alan Jenkins – Pertences

Leia Pertences, de Alan Jenkins, um poema comovente sobre luto, memória familiar e os vestígios materiais deixados pelos mortos.
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Robert Frost – Nada que é de ouro pode permanecer

No mundo, o ouro é o verde elementar,Sua matiz mais difícil de conservar.A flor é a sua inaugural semente;Não obstante por um instante somente. Depois, folha desaparece sob folha.E assim, no pesar o Paraíso mergulha,E a aurora se transforma em amanhecer.Nada que é de ouro pode permanecer. Trad.: Nelson Santander Nothing gold can stay Nature’s…
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Ada Limón – Mar aberto

“Mar aberto”, um poema de Ada Limon que transforma uma lembrança de despedida em uma meditação delicada sobre perda, identidade e permanência.
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Ellen Bass – O importante é

O importante é amar a vida, ama-la mesmoquando você não tem estômago para issoe tudo o que você prezouse esfarela feito papel queimado em suas mãos,a garganta repleta desse lodo.Quando a dor se senta ao seu lado, seu calor tropicalcondensando o ar, pesado como água, mais próprio para guelras que para pulmões;quando a dor pesa…
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Denise Levertov – Conversando com a dor

Ah, dor, eu não deveria trata-la como um cão vira-latasque vem à porta dos fundospor uma migalha, por um osso descarnado.Eu deveria confiar em você. Eu deveria persuadi-laa entrar em casa e dar-lheo seu próprio canto,um tapete usado para se deitar,sua própria tigela de água. Você pensa que eu não sei que você está morandoembaixo…
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Seamus Heaney – [Como todo mundo]
![Seamus Heaney – [Como todo mundo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/05/0011e5d6-1600.jpg)
Como todo mundo, inclinei minha cabeçadurante a consagração do pão e do vinho,elevei meus olhos para a hóstia e para o cálice levantados,acreditei (seja lá o que isso signifique) que uma mudança ocorrera. Fui ao genuflexório e recebi o mistérioem minha língua, voltei para o meu lugar, fechei meus olhos depressa,fiz um ato de ação…
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Joan Margarit – Separado

A casa se abre para uma calçadaonde não me espera ninguém.Aqui sem ti. Um estranho.Foi aqui que eu me perdi.Caminho sem mim, contigo.Minha sombra é apenas um erro,vem dos lugares mais gélidos:teu coração e tuas mãos.Por isso eu parti.A vida desconhecidaeu a vivi sem ti.A teu lado. Trad.: Nelson Santander Separado La casa se abre…