Tag: Dor
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Denise Levertov – Conversando com a dor

Ah, dor, eu não deveria trata-la como um cão vira-latasque vem à porta dos fundospor uma migalha, por um osso descarnado.Eu deveria confiar em você. Eu deveria persuadi-laa entrar em casa e dar-lheo seu próprio canto,um tapete usado para se deitar,sua própria tigela de água. Você pensa que eu não sei que você está morandoembaixo…
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Ellen Bass – O panorama geral

Eu tento ver o panorama geral.O sol, língua ardenteque nos lambe como uma mãe encantada por sua nova cria, se consumirá.Tudo é transitório.Pense no meteoro que aniquilou os dinossauros.E antes disso, nos vulcõesdo Permiano — todas aquelas samambaias e répteis, tubarões e peixes ósseos queimados —que foram extintos em uma escalaque faz com que nossas…
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Jane Hirshfield – Encantamento para se recitar contra o ódio

Até que cada respiração repudie eles, aqueles, outros.Até que a Dramatis Personae da primeira página do livro diga: “Cada um deles é você.”Até que a esperança se dobre à sua desesperança apenas quando um ser se dobrar para outro.Até que a crueldade se dobre às suas ações e subitamente perceba: eu.Até que a raiva e…
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Marie Howe – Singularidade

Singularidade (depois de Stephen Hawking) Você às vezes não gostaria de acordar para a singularidadeque um dia fomos? tão compactos ninguémprecisava de cama, ou comida, ou dinheiro — ninguém se escondendo no banheiro da escolaou sozinho em casa abrindo a gavetaonde os comprimidos são guardados. Pois cada átomo que pertence a mimPertence a você. Lembra-se?…
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Emily Dickinson – Após grande dor sobrevém um sentimento austero

Após grande dor sobrevém um sentimento austero –Os Nervos ficam cerimoniosos como um cemitério –Indaga o rijo Coração se foi Ele que sofreu,Se Ontem, ou Séculos antes aconteceu? Os pés, mecânicos, circundam sem cessar –Nos Sopés, no Ar, em qualquer Lugar –Um caminho de madeiraQue indiferentemente medraUm contentamento de Quartzo, uma pedra – A Hora…
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Nuno Júdice – Epidemia

Passa de um para o outro através do olhar, de uma palavra, de um toque de mãos; por vezes, basta um leve suspiro para adivinhar a febre, e atrás dele descobre-se que não é preciso cura nem tratamento. Instala-se na cabeça, no corpo, na boca, nos dedos, sem dor nem cansaço, apenas aquela ânsia a…
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Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntamcomo comecei a escrever poesia,eu falo da indiferença da natureza. Foi logo depois que minha mãe faleceu,um dia radiante de junhoem que tudo florescia. Sentei-me em um banco de pedra acinzentadoem um jardim carinhosamente cultivado,mas os lírios eram tão surdosquanto os bêbados adormecidose as rosas curvadas para dentro.Nada estava enlutado ou quebrado,nem uma…
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Louise Glück – Abril

O desespero de mais ninguém é como o meu desespero — Vocês não têm lugar neste jardimpensando em tais coisas, emitindocansativos sinais exteriores; o homemdesmatando intencionalmente uma floresta inteira,a mulher mancando e se recusando a trocar de roupasou lavar os cabelos. Acham que eu me importose vocês conversarem um com o outro?Mas quero que saibamque…
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Louise Glück – Fim de inverno

Sobre o mundo ainda, um pássaro cantadespertando solitário entre ramos escuros. Vocês desejaram nascer; eu permiti que nascessem.Quando minha dor alguma vezinterferiu em seu prazer? Mergulhandona escuridão e na luz ao mesmo tempo,sedentos por sensações como se fossem algo novo, querendose expressar com todo brilho, toda vivacidade nunca imaginandoque isso lhes custaria algo,nunca concebendo o…
