Tag: Dor
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Pedro Salinas – Não quero que te vás

Não quero que te vás,dor, última formade amar. Sinto-me vivoquando me dóis,não em ti, nem aqui,mais longe: na terra, no anode onde tu vens,no amor com elae tudo o que foi.Nessa realidadesubmersa que se negaa si mesma e insisteem nunca ter existido,que foi apenas um pretextoque encontrei para viver.Se tu não me restasses,ó dor irrefutável,até…
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Paulo Henriques Britto – de “Dez Sonetoides Mancos”

VI Nada de mergulhos. É na superfícieque o real, minúsculo plâncton, se trai.Sentidos, sentimentos e outros moluscos não passam pela finíssima peneirado funcional. E o sofrimento, ai,esse nefando pinguim de louça sobre o que deveria ser, na quiti-nete do eu, uma austera geladeira… Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro, meufilho. Só o raso é…
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Emily Dickinson – Dizem que “O Tempo Consola”

Dizem que “O Tempo consola” —Mas não — na realidade,A vera dor, como um Tendão,Se fortalece, com a idade — O Tempo testa a Tristeza —Porém não a remedia —Se cura o Mal, prova apenasQue Mal deveras não havia — Trad.: Paulo Henriques Britto REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 22/03/2017 They say that…
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Linda Pastan – Dor

Mais fieldo que um amante ou maridoela se apega a ti,dando a si própria o teu sobrenomecomo se uma cerimônia tivesse acontecido. À noite, viras e revirasprocurando pela únicaposição suportável,mas mesmo que finalmente consigas dormir,ela acorda antes de ti. Como é pesada,desalojando com seu volumetoda tua energia vital.Antes tu parecias não pesar nada,teus braços poderiam…
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Ada Limón – Instruções para não desistir

Mais do que os funis fúcsia rompendoda macieira, mais do que a exibição quaseobscena dos galhos da cerejeira do vizinho enfiandosuas flores cor de algodão doce no céu ardósiadas chuvas de primavera, é o verdejar das árvoresque realmente me comove. Quando todo o embate de brancoe caramelo e os berloques e bugigangas do mundo deixam,de…
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Heinrich Heine – Morfina

É grande a semelhança desses doisjovens e belos vultos, muito emboraum pareça mais pálido e severoou, posso até dizer, bem mais distintodo que o outro, o que, terno, me abraçava.Havia em seu sorriso tanto afeto,carinho e, nos seus olhos,tanta paz!Ornada de papoulas, sua frontetocava a minha, às vezes – e seu raroodor me dissipava a…
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Donizete Galvão – Ruminações

Nunca saí dessa roceira Minasque nos dá aflição e dor como herança.Lamaçal de bosta de vacano curral bem em frente da casa.Cheiro de leite azedo nos latõese de óleo queimado para expulsar bernes.Jardins de dália e corações magoados,chás de consolda e escaldados de quirera.A avó socando o arroz no pilão,preparando decoada para o sabãoou com…
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John Keats – Ode sobre a melancolia

Não! Não vás para o Letes, nem tristes raízes Tortures para obter o vinho que te acena;Nem no pálido rosto os beijos cicatrizes Da beladona, que Prosérpina envenena.Não faças teu rosário com amoras parcas, Nem permitas que o escaravelho ou a falena Sejam tua Psique, nem que o mocho do abandonoPartilhe dos mistérios do teu…
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Juan Vicente Piqueras – Palmeiras

Nascemos da sede. Somos palmeirasque crescem à força de perderseus ramos. Nossos troncos são feridas,cicatrizes que o vento e a luz dissipam,quando o tempo, o que faz e o que passa,ocupa o coração e dele faz um ninhode perdas, erigenele seu templo, sua áspera coluna. Por isso as palmeiras são alegrescomo os que sabem sofrer…
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Ellen Bass – O importante é

O importante é amar a vida, ama-la mesmoquando você não tem estômago para issoe tudo o que você prezouse esfarela feito papel queimado em suas mãos,a garganta repleta desse lodo.Quando a dor se senta ao seu lado, seu calor tropicalcondensando o ar, pesado como água, mais próprio para guelras que para pulmões;quando a dor pesa…