Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Roger Wolfe – A Última Noite da terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casaE, no entanto, ainda estou aqui.Sua melodia não muda, já o disse antes.Mas meu trabalho é constatar o óbvio,e é isso que o melro me faz lembrar.O tempo passa, as pessoas envelhecem e morrempor sua própria mão ou com ajuda.As palavras escorrem pelo ralodo que…
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Rosanna Warren – Lago

Você estava com água até as coxas e a luz verde refletianas cavidades dos seus quadris e no estômago, que é onde a chama pilotoardia nas antigas estátuas de Dionísio,e por um momento, enquanto você caminhava mais em direção ao fundo, parecia queaquela água poderia lavar o pesode suas próprias estações e de doenças que…
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Abdellatif Laâbi – Duas horas em um trem

Em uma viagem de trem de duas horasEu revejo o filme da minha vidaCerca de dois minutos por anoMeia hora para a minha infânciaoutra para o meu tempo na prisãoEnquanto o amor, livros e viagenscompartilham o restoA mão de minha parceira gradualmentese funde à minha e sua cabeça,que repousa em meu ombro,parece leve como uma…
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Alex Dimitrov – Os anos

Leia “Os anos”, de Alex Dimitrov, um poema melancólico e elegante sobre amizade, memória, juventude e a passagem do tempo.
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Charles Simic – Na Biblioteca

Para Octavio Há um livro chamado“Um Dicionário dos Anjos”.Ninguém o abre há cinquenta anos,Eu sei, porque quando o fizAs capas rangeram, as páginasdesmancham-se. Nele descobriQue os anjos eram tão abundantesQuanto moscas. Ao entardecer, o céuCostumava ficar repleto deles.Você precisava agitar os dois braçosApenas para mante-los à distância.Agora o sol brilhaAtravés de altas janelas.A biblioteca é…
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Eugenio Montale – O lago de Annecy

Não sei por que minhas memórias te relacionamao lago de Annecyque visitei alguns anos antes de tua morte.Mas na época eu não pensava em ti, era joveme julgava ser o senhor do meu destino.Por que uma memória tão enterrada é capaz deaflorar eu não sei; tu mesmacertamente me enterraste e nem percebeste.Agora ressurges viva, embora…
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José Infante – [A morte é definitivamente o fim]
![José Infante – [A morte é definitivamente o fim]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2022/09/caronte.jpg)
A morte é definitivamente o fim, por maisque nos tentem enganar com cânticos,com hinos, com orações e salmos.A morte é o fim e é justoque seja assim. Que não hajarecompensas nem punições. Somenteque nos deixem perdermo-nos no nada,de onde viemos sem ter sidopreviamente convidados. Trad.: Nelson Santander [La muerte sí es el final] La muerte…
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Danusha Laméris – Nada quer sofrer

Nada quer sofrer após LInda Hogan Nada quer sofrer. Nem o ventoque arranha contra a encosta. Nem o penhasco sendo devorado, lentamente, pelo mar. A terra não quersofrer o pisoteio bruto de quem a ignora. As árvores não querem sofrer o machado, nem versuas irmãs derrubadas pela podridão, pelo mofo e oxidação de suas raízes. …
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Brad Aaron Modlin – O que você perdeu no dia em que não foi à aula

A Sra. Nelson explicou como ficar imóvel e ouviro vento, como encontrar sentido em encher o tanque, como descascar batatas pode ser uma forma de oração. Ela respondeua perguntas sobre como não se sentir perdido no escuro. Depois do recreio, ela distribuiu folhas de exercíciosque abordavam maneiras de como lembrar as vozes de nossos avôs.…
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Wendy Cope – Em um trem

O livro que estou lendo repousa em meu joelho. Você dorme. Lá fora é tão bonito —campos, pequenos lagos e árvores de invernosob o sol de fevereiro,cada estacionamento um brilhante mosaico. Longos e radiantes minutos,sua mão na minha mão,ainda quente, ainda quente. Trad.: Nelson Santander On a Train The book I’ve been readingrests on my…