Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Adam Zagajewski – Um breve poema

Eu ouvia cânticos gregorianosnum carro em alta velocidadeem uma rodovia na França.As árvores passavam velozes. As vozes dos mongesentoavam preces a um deus invisível(ao amanhecer de uma capela tremendo de frio).Domine, exaudi orationem meum,vozes graves rogavam calmamentecomo se a salvação estivesse crescendo no jardim.Para onde eu ia? Onde o sol se escondia?Minha vida estava em…
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Czesław Miłosz – Uma vida afortunada

Sua velhice coincidiu com os anos de colheitas abundantes.Não houve terremotos, secas ou inundações.Dir-se-ia que a sucessão das estações ganhava em regularidade,As estrelas se fortaleciam e o sol aumentava seu poder.Mesmo em províncias remotas nenhuma guerra foi travada.Gerações cresceram amistosas para com seus semelhantes.A natureza racional do homem não era motivo de escárnio. Foi amargo…
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Pedro Salinas – [A tua forma de amar]
![Pedro Salinas – [A tua forma de amar]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2018/03/images-of-sad-love-and-wallpaper-28.jpg)
“A tua forma de amar”, um poema de Pedro Salinas que explora o amor silencioso e a insegurança afetiva, retratando um eu lírico que teme descobrir que ama sozinho e se agarra à presença da amada para não confrontar a possibilidade da solidão.
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Linda Pastan – Por que seus poemas são tão sombrios?

Por que seus poemas são tão sombrios? Não é a lua também sombria,na maior parte do tempo? E a página brancanão parece inacabada sem a mancha escurados alfabetos? Quando Deus exigiu luz,Ele não baniu a escuridão. Em vez disso, ele criouo ébano e os corvos e aquela pequena pintana maçã esquerda do seu rosto. Ou…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Xochiquetzal

Xochiquetzal1 (Homenagem a Chuang-Tzu2) Ontem sonhei contigo. Vestias uma gabardine de pele, e por baixo nada.Era outono e estavas ensopadapela chuva; caminhavas em alguma estação de Madrid rumo a lugarnenhum. Estancavas ocasionalmenteteus passos para sentires transluzentetua pele resplandecer ao luar de um espelho invisível em que haviaum homem que sonhava com uma mulhere uma mulher…
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Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]
![Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/img_53191-scaled.jpg)
Amo a vida simples,de me sentar à entradapara ver as pessoas passar,como se move um pardal,como se inclina a tardenas casas do corpo. Já sei que morrereimuito antes de morreremas árvores que amo. Mas isso não me preocupa,porque no instanteem que se me romper o último fioserei só aquela mulherque se sentava à entradapara simplesmente…
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Nisha Atalie – Fazer/Não fazer

Eu cheiro o Lírio Tigre em flor,duas línguas saltandode uma boca. Eu enveneno o rio involuntariamente.Marcho nos caminho demarcados. Eu corto a montanha, seu corpo e sua boca escancarados.Recolho a água da chuva em um carrinho de mão. Eu forro o ventre da baleia com presentes atéque eles dilacerem seu estômago.Eu rego os morangos. Novamente…
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Vievee Francis – Estive pensando de novo no amor

Estive pensando de novo no amor Há os que vivem para recebê-loe os que vivem para dá-lo. Claro que existem aqueles para quem ambas as coisas são verdade,mas nunca na mesma medida. Aqueles que o têm para dar são como cardeais na neve. Tão fáceise lindamente iluminados. Algunssão como coelhos. Difíceis de verexceto para aqueles…
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Vicente Gaos – Testamento

Eu, Vicente Gaos, natural do nada, de mil séculos de idade, de estado civilsolitário, instáveldomiciliado/refugiado num canto do cosmos,de profissão náufrago na sombra,sem carteira de identidade, sem títulos, condecorações nem diplomas de espécie alguma,sem qualquer sinal particular visível no peito nem em nenhuma outra parte do corpo,sem outra cicatriz além de uma necrose do miocárdio,uma…
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George Bilgere – Tudo bem

Estou aqui sentado na calçada, envelhecendo em um café,soltando a fumaça amarela e doentia da decomposiçãoenquanto as pessoas passam fingindonão notar, desviando o olhar para longeou para os seus telefones,fazendo o possível, por educação ou choque,para me ignorar sentado aqui envelhecendo,e eu não os culpo, é difícil de ver. E agora a garçonete em sua…