Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Xochiquetzal

Xochiquetzal1 (Homenagem a Chuang-Tzu2) Ontem sonhei contigo. Vestias uma gabardine de pele, e por baixo nada.Era outono e estavas ensopadapela chuva; caminhavas em alguma gare de Madrid indo para lugarnenhum. Estancavas ocasionalmenteteus passos para sentires transluzentetua pele resplandecer ao luar de um espelho invisível em que haviaum homem que sonhava com uma mulhere uma mulher…
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Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]
![Laia Noguera Clofent – [Amo a vida simples]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/02/img_53191-scaled.jpg)
Amo a vida simples,de me sentar à entradapara ver as pessoas passar,como se move um pardal,como se inclina a tardenas casas do corpo. Já sei que morrereimuito antes de morreremas árvores que amo. Mas isso não me preocupa,porque no instanteem que se me romper o último fioserei só aquela mulherque se sentava à entradapara simplesmente…
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Nisha Atalie – Fazer/Não fazer

Eu cheiro o Lírio Tigre em flor,duas línguas saltandode uma boca. Eu enveneno o rio involuntariamente.Marcho nos caminho demarcados. Eu corto a montanha, seu corpo e sua boca escancarados.Recolho a água da chuva em um carrinho de mão. Eu forro o ventre da baleia com presentes atéque eles dilacerem seu estômago.Eu rego os morangos. Novamente…
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Vievee Francis – Estive pensando de novo no amor

Estive pensando de novo no amor Há os que vivem para recebê-loe os que vivem para dá-lo. Claro que existem aqueles para quem ambas as coisas são verdade,mas nunca na mesma medida. Aqueles que o têm para dar são como cardeais na neve. Tão fáceise lindamente iluminados. Algunssão como coelhos. Difíceis de verexceto para aqueles…
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Vicente Gaos – Testamento

Eu, Vicente Gaos, natural do nada, de mil séculos de idade, de estado civilsolitário, instáveldomiciliado/refugiado num canto do cosmos,de profissão náufrago na sombra,sem carteira de identidade, sem títulos, condecorações nem diplomas de espécie alguma,sem qualquer sinal particular visível no peito nem em nenhuma outra parte do corpo,sem outra cicatriz além de uma necrose do miocárdio,uma…
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George Bilgere – Tudo bem

Estou aqui sentado na calçada, envelhecendo em um café,soltando a fumaça amarela e doentia da decomposiçãoenquanto as pessoas passam fingindonão notar, desviando o olhar para longeou para os seus telefones,fazendo o possível, por educação ou choque,para me ignorar sentado aqui envelhecendo,e eu não os culpo, é difícil de ver. E agora a garçonete em sua…
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Ernesto Pérez Vallejo – Perdão, falava em voz alta

Queres mesmo que eu seja sincero? Se não esperas nada de ninguémNunca poderão desapontá-la.A esperança é aquele relógioque sempre marca a hora errada. Se não escolheres o caminho errado algumas vezescomo diabos saberás qual deles era o certo? Nos momentos felizes, não sabemos ao certo se estamos tristes.Mas, quando tristes, todos sabemos quando estávamos felizes.…
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Elizabeth Jennings – Uma só carne

Cada qual em sua cama, deitados separados agora,Ele com um livro, uma luz acesa até hora incerta,Ela, como uma menina, sonhando com sua aurora,Todos os homens em outros lugares – é como se certaNova ocorrência esperassem: o livro que ele detémMas não lê, os olhos dela pregados nas sombras além. Lançados acima como destroços de…
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Javier Salvago – Fim de Festa

Enfim sós, vida. A festa acaboue não resta ninguém para nos obrigara sorrir, ou a inventar desagradáveismentiras inofensivas. Todos se foram. Despe-te sem medo. Conheçoas velhas rugas de tua triste carne.Acariciei-as. Sei o que teu rostooculta por baixo da maquiagem. Enfim sós, vida. A casa em silêncioe tu e eu nus, calados e ausentes,– juntos…
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James Crews – Kintsugi

Qualquer um que ama outra pessoajá tem o coração partido.É a lei: se quer que aquela luzinunde seu corpo, você deveexpor as cicatrizes através das quaisela jorra, pois elas são a fontede sua beleza e de sua força.Pense nos japoneses que preenchemas fissuras de uma vasilha de cerâmicacom ouro puro, não apenas exibindoestas chamadas falhas,…