Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Francisco Brines – Discurso pagão

Achais, por acaso, que por crerdesna imortalidadeela vos deve ser dada?Ela é obra da fé, do egoísmoou da desolação.E, se existe, não importa não haverdes nela acreditado:respostas ignorantes são todas humanasse a morte interroga. Continuai com vossos faustosos ritos, oferendas aos deuses,ou grandes monumentos funerários,as acolhedoras preces, vossa esperança cega.Ou aceitai o vazio que virá,onde…
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Jane Hirshfield – Sopesagem

As razões do coraçãovistas com clareza,inclusive as mais duras,carregarãosuas marcas de chicote e tristezase devem ser perdoadas. Como a elande famintapela seca que perdoao leão faminto pela secaque finalmente a arrebata,e entra em seguida de bom gradona vida que ela não pode recusar,e torna-se leão, está alimentada,e não se lembra da anterior. Tão poucos grãos…
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Marilyn Nelson – Mais rápido que a luz

Eu não queria pagar para estacionar meu carro,por isso peguei um táxi para a estação ferroviária.New London fica a uma hora de carro,mas aquela foi a melhor solução que pude encontrar.Depois de mais ou menos dez milhas de conversa fiadaem que acabei confessando meu ofício,o motorista disse que ele era um físico —Como hobby, ele…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A última vez de Casanova

Giacomo se envolve no crepúsculo do Florian Perguntas-me, Lesbia, quantos dos teus beijosseriam suficientes para me satisfazer.Catulo Enquanto beijo tua boca, docedonzela na conquista, mordoas comissuras de tua mãee os lábios que tuas irmãscedem ao peso do desejo;beijo as próximas mulheresdistantes e ainda desconhecidaspor minha cobiça, aquelasque um dia serão tu em outratu, que agora…
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Natalie Diaz – Meu irmão às 3 da manhã

Ele estava sentado de pernas cruzadas, chorando nos degraus,quando mamãe destrancou e abriu a porta da frente. Meu Deus, ele disse. Meu Deus. Ele quer me matar, mamãe. Quando mamãe destrancou e abriu a porta da frente,às 3 da manhã, ela estava de camisola, papai…
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Louise Glück – Aubade

Hoje, acima do canto da gaivota,ouvi você me acordar novamentepara ver aquela ave, voandotão estranhamente sobre a cidade,não querendo parar, desejandoa desolação azul do mar — Agora ela contorna o subúrbio;contra si, a luz violenta do meio-dia: Eu sinto a fome delacomo sua mão dentro de mim, um gritotão comum, desafinado — O nosso não…
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Dan Gerber – Frequentemente, imagino a terra

Frequentemente, imagino a terracom o olhar dos átomos de que somos feitos —átomos, peculiaresátomos por toda parte —sem eu, sem você, sem opiniões,sem princípio, sem meio, sem fim,planando juntos como aquelesantigos pássaros chinesesnascidos milagrosamente com apenas uma asa,ajudando uns aos outros a voar para casa. Trad.: Nelson Santander Often I Imagine the Earth Often I…
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Dorianne Laux – Histórias de família

Tive um namorado que me contava histórias sobre sua família,como a de certa vez em que uma discussão terminou quando seu paiagarrou com as duas mãos um bolo de aniversário com as velas acesase o arremessou pela janela do andar de cima. Assim,eu pensava, era uma família normal: raivaenviada para além do peitoril, aterrissando como…
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Sara Teasdale – Chuvas suaves chegarão

(Tempos de Guerra) Chuvas suaves chegarão e o cheiro de chão,E andorinhas revoando, seus rútilos sons; E sapos nos brejos cantarolando na noite,E ameixeiras silvestres em seu branco oscilante, Tordos trajarão incandescentes ornamentosTrinando seus caprichos em baixos tapamentos; E ninguém então saberá da guerra, ninguémSe importará quando ela terminar enfim. Ninguém se importaria, nem árvore…
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Linda Pastan – Elegia

Nosso último corniso se inclinasobre o solo da floresta oferecendo frutosaos pássaros, aos esquilos. É uma relíquiados dias em que os cornisos floresciam — renda natada em abril,leite derramado em maio — sua beleza delicadamas comum. Quando eu dava como certoque o mundo permaneceria como era, e eupermaneceria com ele. Trad.: Nelson Santander Mais do…