Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Maggie Smith – Boa Base

A vida é curta, embora eu esconda isso de meus filhos.A vida é curta, e eu encurtei a minhade mil maneiras deliciosas e imprudentes,mil maneiras deliciosamente imprudentesque esconderei dos meus filhos. O mundo é, no mínimo,cinquenta por cento terrível, e essa é uma estimativaconservadora, embora eu esconda isso de meus filhos.Para cada pássaro, há uma…
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Stephen Dobyns – Constatações

O terrível desequilíbrio que ocorre com a idadequando de repente você percebe que mais amigos morreram do que continuam vivos. E às vezesa lembrança deles parece tão real que a mais recente constatação de uma morte pode se tornar uma segunda, menor morte. Todas aquelas conversas interrompidas no meio da frase. Todos aqueles planos jogados…
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Richard Brautigan – Buu, para sempre

Girando como um fantasmana base de um pião,sou assombrado por todoespaço em quevou viver sem você. Trad.: Nelson Santander Boo, Forever Spinning like a ghoston the bottom of a top,I’m haunted by allthe space that Iwill live without you.
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W. S. Merwin – Juventude

Durante toda a juventude estive à sua procurasem saber o que procurava nem como chamá-la acho que eu nem sabia que estava procurando como eu poderia reconhecê-la ao vê-la como aconteceuvezes sem conta quando apareceu para mim como apareceu nua oferecendo-sepor inteiro naquele momento e deixou que eu a respirasse a tocasse a provasse sabendonão…
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Jane Kenyon – A pera

Há um momento na meia-idadeem que você fica entediado, irritadopor sua mente mediana, com medo. Nesse dia, o solarde quente e brilhante,deixando-o ainda mais desolado. Isso acontece sutilmente, como quando uma peraapodrece de dentro para fora,e talvez você nem percebaaté tudo já tenha passado do ponto. Trad.: Nelson Santander The Pear There is a moment…
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Eavan Boland – E alma

Minha mãe morreu em um verão —o mais úmido nos registros do Estado.Safras apodreciam no oeste.Toalhas xadrez dissolviam-se nos jardins dos fundos.Cadeiras de praia vazias recolhiam a chuva.Enquanto eu ia até elapor entre o trânsito, por entre lilases gotejando escurosatrás das casase junto ao meio-fio, para prestar-lhea última homenagem de uma filha, pensei em algoque…
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Francisco Brines – Últimos dias

Na herdade ele confina a memóriae o corpo que declina. Tudo morresobre este mundo vivo; e a laranjeira,e o voo do pombo, são traspassadospor um raio outonal de azul.Acompanham-lhe os livros; as caminhadastrazem até ele o odor de rosas abertas,e o suave abatimento dos dias.Ele ardeu na solidão, e agora escutaa primavera viva dos melros.Dias…
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Suzannah Evans – Um plano de contingência

E se estivermos separados quando chegar o asteroideou a tempestade magnética que colapsará a energia? Talvez você esteja então esperando por um trem enquanto a luz do solse extingue, bem acima dos painéis de vidro do telhado. Eu estarei no trabalho. Perderemos nossas linhas telefônicase o sistema da porta de entrada ficará maluco. Comerei da…
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Donald Hall – Afirmação

Envelhecer é perder tudo.Velhice, todos a conhecemos.Mesmo quando somos jovens,às vezes a vislumbramos, e acenamos-lhe com a cabeçaquando perdemos um avô.Depois remamos durante anos na lagoados verões plenos, ignorantes e satisfeitos. Mas um casamento,que começou sem causar danos, se dispersaem destroços na praiae um amigo da escola caiduro em uma costa rochosa.Se um novo amor…
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Camille Dungy – Deixe-me

Deixe-me dizer-lhe, América, esta última coisa.Eu nunca vou deixar de sonhar o seu sonho.Eu tive um amante uma vez. Se é que podemos chama-lo assim.Dirigi-me até o apartamento dele em uma cidade distante,como aquela ursa perdida que vagueou até o nosso becono verão em que a fumaça das montanhas em chamasalterou nosso ar. Não sei…