Barbara Crooker – Vida comum

Este foi um dia em que nada aconteceu,
as crianças foram para a escola
sem esquecer de seus livros, lanches, luvas.
Por toda a manhã, o bebê e eu amontoamos pilhas de blocos
no chão de ladrilhos iluminados.
E ao almoço seguiu-se a hora da sesta,
limpei os armários da cozinha,
uma dessas tarefas que nunca realizamos,
e me sentei em um círculo de luz solar
e bebi chá de gengibre,
observando os pássaros no comedouro
disputando as sobras do almoço.
Um faisão desfilou na sebe,
limpou as penas e exibiu sua rútila cabeça.
Agora, um frango assa na panela,
e as crianças retornam,
o murmurar de suas histórias salpicando o ar.
Eu descasco cenouras e batatas sem cortar meu polegar.
Ouvimos juntos o som de seus pneus na entrada.
Damos graças antes do pão.
E, à mesa, conversa de verdade,
sem brigas ou empurrões.
E depois, a lição de casa.
O bebê vai aos seus carrinhos, impele-os
ao longo das serras e colinas do sofá.
Debruçando sobre o balcão, roubamo-nos um beijo longo e lento,
com gosto de creme e café
O frango está reduzido a pele e esqueleto,
a lua, a uma vírgula, uma lasca nevada,
mas este tem sido um dia abençoado
em pleno inverno,
a dura e fria junção do ano,
um dia que se desembrulha
como um inesperado presente,
e as estrelas se acendem,
e se auto-organizam
na noite de inverno.

Trad.: Nelson Santander

N. do T.: Poema vencedor do Byline Chapbook Prize, Byline Press, 2001

Ordinary Life

This was a day when nothing happened,
the children went off to school
remembering their books, lunches, gloves.
All morning, the baby and I built block stacks
in the squares of light on the floor.
And lunch blended into naptime,
I cleaned out kitchen cupboards,
one of those jobs that never gets done,
then sat in a circle of sunlight
and drank ginger tea,
watched the birds at the feeder
jostle over lunch’s little scraps.
A pheasant strutted from the hedgerow,
preened and flashed his jeweled head.
Now a chicken roasts in the pan,
and the children return,
the murmur of their stories dappling the air.
I peel carrots and potatoes without paring my thumb.
We listen together for your wheels on the drive.
Grace before bread.
And at the table, actual conversation,
no bickering or pokes.
And then, the drift into homework.
The baby goes to his cars, drives them
along the sofa’s ridges and hills.
Leaning by the counter, we steal a long slow kiss,
tasting of coffee and cream.
The chicken’s diminished to skin and skeleton,
the moon to a comma, a sliver of white,
but this has been a day of grace
in the dead of winter,
the hard cold knuckle of the year,
a day that unwrapped itself
like an unexpected gift,
and the stars turn on,
order themselves
into the winter night.

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