Tag: Vida
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Joan Margarit – Separado

A casa se abre para uma calçadaonde não me espera ninguém.Aqui sem ti. Um estranho.Foi aqui que eu me perdi.Caminho sem mim, contigo.Minha sombra é apenas um erro,vem dos lugares mais gélidos:teu coração e tuas mãos.Por isso eu parti.A vida desconhecidaeu a vivi sem ti.A teu lado. Trad.: Nelson Santander Separado La casa se abre…
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William Blake – A mosca

Pequena Mosca, Teus jogos de estio Minha irrefletida Mão os destruiu. Pois como tu, Mosca não sou eu? E não és tu Homem como eu? Eu canto e danço e Bebo, até que vem Mão cega arrancar-me As asas também. Se é o pensamento Vida, sopro forte, E a ausência do Pensamento morte, Então eu…
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Antonio Carlos Secchin – [Não, não era ainda a era da passagem]
![Antonio Carlos Secchin – [Não, não era ainda a era da passagem]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/01/jeremy-thomas-e0ahdsenmdg-unsplash-scaled-1.jpg)
Não, não era ainda a era da passagem do nada ao nada, e do nada ao seu restante. Viver era tanger o instante, era linguagem de se inventar o visível, e era bastante. Falar é tatear o nome do que se afasta. Além da terra, há só o sonho de perdê-la. Além do céu, o mesmo céu, que se alastra num…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A outra rosa

Ela beijou na rosa(seu nome era um aguilhãofeminino e brutal)a imagem de outra rosa gravada em uma lousade mármore, cristalina.A luz era mais finae, ao tato, tão airosa quanto a flor que ardiasem pausa em sua memória.Em outro meio-dia, a rosa era ilusóriapromessa repartida;e o beijo, a outra vida. Trad.: Nelson Santander La otra rosa…
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Javier Salvago – Canção do Esquecimento

A cor dos olhos daquele amor juvenil.O calor do primeiro beijo, que não consigorecordar, embora saiba que deve ter sidoinesquecível. Tantos colegas e amigosda escola ou de farra, que um dia foram íntimos.O latim. Tantos nomes de montanhas e rios.Tantas duras lições. Tantos e tantos livros, com paixão devorados, sempre abertos, lidose esquecidos, assim como…
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X. J. Kennedy – O objetivo do tempo é evitar que tudo aconteça de uma só vez

Imagine que sua vida seja um telescópio dobradoAtemporal, que desmoronou num piscar de olhosDo ventre de sua mãe, você, berrando, caiEm uma casa de repousos. Imagine que você destrói Seu carro, seu casamento — uma criança devastando Um campo de margaridas, estudante, adolescente espinhentoCom a amada, fechando às pressas o zíper das calçasAo ouvir os…
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Denise Levertov – Peregrinações no mundo paralelo

Vivemos nossas vidas de paixões humanas, crueldades, sonhos, ideias, crimes e o exercício da virtude em e ao lado de um mundo privado de nossas preocupações, isento de nossas apreensões — embora afetado, certamente, por nossas ações. Um mundo paralelo ao nosso, embora a ele sobreposto. Nós o chamamos de “Natureza”; apenas relutantemente admitindo que…
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David Whyte – Algumas vezes

Algumas vezes,se você se mover cuidadosamentepela floresta,respirandocomo osdas velhas histórias,que podiam atravessarum resplandescente leito de folhassem um som,você chega a um lugar cuja única missão é incomoda-locom ínfimas mas assustadoras exigências,concebidas do nadamas neste lugarque começa a leva-lo para todos os lugares.Exigências para que você pareo que está fazendo agora,e pare o que você está…
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Paul Tran – A caverna

Alguém que estava na abertura teve a ideia de entrar. Ir além do ponto onde a luz ou a linguagem poderiam ir. À medida que ele seguia a ideia, luz e linguagem o acompanhavam como dois lobos — ofegantes, ouvindo o próprio resfolegar. Um aroma informe no ar úmido… Prossiga, disse a ideia. Alguém prosseguiu.…
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Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…