Tag: Vida
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Fernando Pessoa – [Tenho tanto sentimento]
![Fernando Pessoa – [Tenho tanto sentimento]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/06/pp840x830-pad1000x1000f8f8f8.jpg)
Tenho tanto sentimento Que é frequente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço, ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a…
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Joan Margarit – A combinação

Sozinha entre dois infernos— o da liberdade e o da idade —,já não consigo abrir nosso cofre.A porta com seus números giratóriosé a roleta em que já não aposto.Desde o primeiro suspiro conserveia blindada clarezadaquela rosa.Agora, nua em nosso quarto,a janela aberta e a luz apagada,ouço o rumor urbano da noite,enquanto a leve brisa me…
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Susana Cattaneo – Quando já não estiver…

Quem porá o pésobre a marca que o meu deixou?Quem olhará estas árvoresonde meus olhos deixaram sinais?Alguém ouvirá cantar um pássaroque será outro.Alguém respirará os mesmos pinheirosde um verde mais cansado.A vida será uma folha em brancoe não poderei timbrá-la com minha palavra. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre…
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Joan Margarit – Despedidas

Ela o acompanhava até o primeiro trem que partia às segundas antes do amanhecer, e naquele bar costumavam despedir-se, o mais próximo da Estación de Francia. Evoco os invernos detidos atrás das vidraças da infância. E talvez esta seja sua mesa, onde agora lembro-me de que, naquela mesma hora, eu estava na penumbra do meu…
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Jane Hirshfield – Meu esqueleto

Meu esqueleto, que um dia doeu com o próprio crescimento, está agora, a cada ano imperceptivelmente menor, mais leve, absorvido por sua própria concentração. Quando eu dancei, você dançou. Quando você quebrou, eu. E assim foi, deitando, caminhando, subindo os fatigantes degraus. Seus maxilares. Meu pão. Algum dia você, o que resta de você, será…
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Rainer Maria Rilke – A Morte da Amada

Da morte ele sabia quase nada: que nos toma e nos cala de repente. Como a amada não fora arrebatada, antes se desprendera docemente do seu olhar para a morada escura, e como percebeu que à outra vida como uma lua plena a formosura da visitante fora concedida, dos mortos se tornou tão familiar que…
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Mary Oliver – A jornada

Um dia você finalmente soubeo que precisava fazer e começou,embora as vozes à sua voltacontinuassem gritandoseus maus conselhos –embora a casa todacomeçasse a tremere você sentisse o velho apeloem seus tornozelos.“Remende minha vida!”,cada voz clamava.Mas você não parou.Você sabia o que precisava fazer,embora o vento tateassecom seus dedos rijosas próprias fundações,e embora a melancolia delesfosse…
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William Stafford – O sonho de agora

Quando acorda, da noite e dos outros sonhos, para o sonho de agora, você conduz o dia para fora das trevas como a uma chama. Quando a primavera acontece no norte e as flores desabrocham no solo e até adormecem, você alteia o verão com sua respiração para que ele não se perca jamais tão…
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Raquel Lanseros – Oração

Que não cresça jamais em minhas entranhasessa paz aparente chamada ceticismoFuja eu do amargor, do cinismo, da imparcialidade de ombros encolhidos.Creia eu sempre na vidaCreia eu sempre nas mil infinitas possibilidades.Que me enganem os cantos das sereias,que minha alma guarde sempre um toque de ingenuidade.Que nunca se pareça minha pelecom a de um imóvel e…