Tag: Sofrimento
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Lisel Mueller – Coisas

O que aconteceu é que nos sentimos solitáriosvivendo entre as coisas,por isso demos ao relógio um rosto,à cadeira um encosto,à mesa quatro pernas robustasque jamais sofrerão fadiga. Calçamos nossos sapatos que têm línguastão macias quanto as nossase penduramos linguetas dentro dos sinospara podermos ouvirsua linguagem emocional, e porque adoramos perfis elegantesa jarra recebeu boca,a garrafa…
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Louise Glück – Santas

Em nossa família, havia duas santas,minha tia e minha avó.Mas suas vidas foram diferentes. A vida de minha avó foi tranquila, mesmo no final.Era como alguém caminhando em águas calmas;por alguma razãoo mar não conseguia decidir-se a feri-la.Quando minha tia tomou o mesmo caminho,as ondas quebraram sobre ela, atacaram-na,que é como as Moiras respondema uma…
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Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, sua pena traçando o papel. Trouxe-o para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, capaz de escrever a sina barométricado nosso cotidiano, lá atrás,num mundo em que carrinhos de livros ao vento junto ao rioprometiam palavras selvagens,mas obedeciam ao censor. Bancos em College Greenregistravam Libras nos livros-caixa,pence…
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Ellen Bass – O panorama geral

Eu tento ver o panorama geral.O sol, língua ardenteque nos lambe como uma mãe encantada por sua nova cria, se consumirá.Tudo é transitório.Pense no meteoro que aniquilou os dinossauros.E antes disso, nos vulcõesdo Permiano — todas aquelas samambaias e répteis, tubarões e peixes ósseos queimados —que foram extintos em uma escalaque faz com que nossas…
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Marie Howe – Singularidade

Singularidade (depois de Stephen Hawking) Você às vezes não gostaria de acordar para a singularidadeque um dia fomos? tão compactos ninguémprecisava de cama, ou comida, ou dinheiro — ninguém se escondendo no banheiro da escolaou sozinho em casa abrindo a gavetaonde os comprimidos são guardados. Pois cada átomo que pertence a mimPertence a você. Lembra-se?…
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Emily Dickinson – Após grande dor sobrevém um sentimento austero

Após grande dor sobrevém um sentimento austero –Os Nervos ficam cerimoniosos como um cemitério –Indaga o rijo Coração se foi Ele que sofreu,Se Ontem, ou Séculos antes aconteceu? Os pés, mecânicos, circundam sem cessar –Nos Sopés, no Ar, em qualquer Lugar –Um caminho de madeiraQue indiferentemente medraUm contentamento de Quartzo, uma pedra – A Hora…
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Juan Vicente Piqueras – Taças de sede

Se duvidas de tua sede, se não te atreves a questiona-la ou a dar-lhe um nome, se só sabes que buscas uma água que a sacie e não achas senão poços, e neles ecos que te chamam, bebe. Se ao beber a sede desaparece é que era só sede. Segue buscando. Mas se cresce em…
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Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntamcomo comecei a escrever poesia,eu falo da indiferença da natureza. Foi logo depois que minha mãe faleceu,um dia radiante de junhoem que tudo florescia. Sentei-me em um banco de pedra acinzentadoem um jardim carinhosamente cultivado,mas os lírios eram tão surdosquanto os bêbados adormecidose as rosas curvadas para dentro.Nada estava enlutado ou quebrado,nem uma…
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Rubén Darío – Quando vieres a amar

“Quando vieres a amar”, um poema de Rubén Darío que apresenta o amor como experiência paradoxal de luz e sombra, felicidade e dor, afirmando sua natureza inevitável e a impossibilidade de viver plenamente sem ele.
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Juan Vicente Piqueras – História universal

Um homem nasce chora cresce risofre e faz sofrer caminha cantatem sede fome frio medose perde extravasa arde sorri. Um homem sozinho no meio da noiteassobia para domar as bestas que o habitam. Abraça empurra mata beija morrese cansa de si mesmo se apaixonase entrega à vida sabe que se findaque o que é escoa…