Tag: Silêncio
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Stein Mehren – A Pedra

Eu acumulei tanto tempo em cada grama de matéria, diz a pedra que milhões de anos são um mero piscar de olhos em mim Eu conheço a dor do mundo continua a pedra. O peso que é necessário carregar. Peso que é o sofrimento do mundo em espaços banhados de luz Se ficares totalmente calado…
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Emily Dickinson – “Senti um Féretro em meu Cérebro…”

Senti um Féretro em meu Cérebro,E Carpideiras indo e vindoA pisar — a pisar — até eu sonharMeus sentidos fugindo — E quando tudo se sentou,O Tambor de um Ofício —Bateu — bateu — até eu sentirInerte o meu Juízo E eu os ouvi — erguida a Tampa —Rangerem por minha Alma comTodo o Chumbo…
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Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá…
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Alfredo Buxán – A eternidade das Cinzas

Leia “A eternidade das cinzas”, de Alfredo Buxán, um poema contemplativo sobre mortalidade, silêncio e a fragilidade da existência humana.
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Hans Magnus Enzensberger – A Visita

Quando levantei os olhos da página em branco havia um anjo no quarto. Um anjo bastante comum presumivelmente de menor hierarquia. Você não pode imaginar, ele disse, o tanto que você é dispensável. Dos quinze mil tons de azul, ele disse, cada um faz mais diferença Do que tudo que você possa fazer ou deixar…
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Antonia Pozzi – Pausa

Parecia-me que este dia sem ti devia ser inquieto, escuro. Em vez disso está repleto de uma estranha doçura, que aumenta com o passar das horas – quase como a terra após um aguaceiro, que fica sozinha no silêncio a beber a água caída e pouco a pouco nas veias mais profundas se sente penetrada.…
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Ana Martins Marques – a parte que me cabe

a parte do teu corpo que procura pelo sol como os gatos pela casa a parte que permanece imóvel quando cantas, aquela que se move quando estás parado a parte que apenas a mim e de relance, por descuido revelaste a parte onde guardas as memórias de infância, a parte que ainda anseia pelo futuro…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Escuto

Escuto mas não sei Se o que ouço é silêncio Ou deus Escuto sem saber se estou ouvindo O ressoar das planícies do vazio Ou a consciência atenta Que nos confins do universo Me decifra e fita Apenas sei que caminho como quem É olhado, amado e conhecido E por isso em cada gesto ponho…

