Tag: Silêncio
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Eugénio de Andrade – De “As mãos e os frutos”

XIX Terra: se um dia lhe tocares o corpo adormecido, põe folhas verdes onde pões silêncio, sê leve para quem o foi contigo. Dá-lhe o meu cabelo para sonho, e deixa as minhas mãos para tecer a mágoa infinita das raízes que no seu corpo um dia hão-de beber
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Eugénio de Andrade – Quando em silêncio passas entre as folhas…

Quando em silêncio passas entre as folhas, uma ave renasce da sua morte e agita as asas de repente; tremem maduras todas as espigas como se o próprio dia as inclinasse, e gravemente, comedidas, param as fontes a beber-te a face. Conheça outros livros de Eugénio de Andrade clicando aqui
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Eugénio de Andrade – Com o tempo aproximar-se-ão os rios…

Com o tempo aproximar-se-ão os rios e os montes, com o tempo acabará por te vir comer à mão e fazer ninho na tua cama o silêncio.
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Maria do Rosário Pedreira – À avó

Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nosque não regressarias, que ninguém regressa de tão longe.E, desde então, as nossas feridas têm a espessurado teu silêncio, as visitas são desejadas apenasa outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapetecontinua engelhado, como à tua ida.Provavelmente ficará assim para sempre. No outro Natal, quando a…
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Ramón de Garciasol – Ávila do Silêncio

Silêncio: cala-me até as raízes, lava minha carne, meu suor de morte, a caspa cotidiana. Quero ver-te, Senhor, em paz, pelo que me dizes sem esta feroz contenda confusa, extinta a chama, pedra pura de eternidade sem fim, viva verdura sem o sal da dor e das cinzas. Silêncio: chove mais. A terra dura está…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/01/tumblr_inline_phmpjoek1n1ufxp92_1280.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – 25 de abril

Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo
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Walter de la Mare – Os que ouviam

“Está aí alguém?”, disse o Viajante Batendo à porta de luar; A relva, chão de fetos da floresta, Pôs-se o cavalo a devorar. Sobre a cabeça do Viajante, um pássaro Voou da torre para além. E ele feriu a porta uma outra vez, Dizendo: “Está aí alguém?” Do peitoril da janela, ninguém Desceu até o…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-las cedo porque nesse dia chegou também o frio e passamos a manhã falando do tempo. São duas, e me pergunto que destino imprevisto as trouxe a esta árvore precisa, a este lugar exato em que o tempo delas cruza, como um sinal confuso, nosso tempo. De tarde falamos sobre elas: “Esta…
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Joan Margarit – Canção de Ninar

Dorme, Joana. E que este Loverman obscuro e trágico do sax de teu irmão em Montjuïc possa acompanhar-te toda a eternidade pelos caminhos que são bem conhecidos pela música. Dorme, Joana, dorme. E de preferência não esqueças de teus anos no ninho que dentro de nós tu deixaste. Enquanto envelhecemos, conservaremos todas as cores que…