Alfredo Buxán – A eternidade das Cinzas

Morrer é um momento, o resto um vazio
que preenchemos de tempo e de silêncio.
Viver, por outro lado, é fácil: prosseguir.
Esta severa dúvida que atravessa os corpos.
Pisar nas pegadas de outros pés sobre o cascalho,
aprender com precisa dor
o modo mais sereno de enfrentar o momento:
nu e sem uivar, apegado à paz
de quem sabe que não pode saber
porque é partícula e não germe, fragmento
no espaço, molhada bruma que se extingue
e emudece em silêncio sob o sol,
sobre a pedra quase eterna que o acolhe.

Trad.: Nelson Santander

Alfredo Buxán – Eternidad de la Ceniza

Morir es un momento, lo demás un vacío
que colmamos de tiempo y de silencio. Vivir, en cambio,
es fácil: proseguir.
Esta severa duda que atraviesa los cuerpos.
Pisar la huella de otros pies sobre la grava,
aprender con certero dolor
el modo más sereno de enfrentar el instante:
desnudo y sin aullar, apegado a la paz
de quien conoce que no puede saber
porque es partícula y no germen, fragmento
en el espacio, mojada brizna que se extingue
y enmudece en silencio bajo el sol,
sobre la piedra casi eterna que lo acoge.

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