Tag: Memento Mori
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

Formas Migratórias para Katia Alemann Aprendemos a amar a conta-gotasessas pequenas pausas de que se vesteo temporal para inundar a solidãodo lado de fora, o ramo entre violeta e ocre das tardes, o murmúriosemântico do céu. Nesta ordem,desfizemos os contornos da distância,a longitude sem proporção, as linhasque relacionam as coisas. Breveslacunas de ar, esses segundos…
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James Kirkup – Ursa Maior

Suspensa entre os álamos domesticados no fimda avenida familiar, a UrsaMaior, em sua rede iluminada, balança,como um portão abandonado que nem barra nem convida para entrar,e pendura no poste arqueado sua silhueta de sete pontas. Desenhada com a precisão de um problema desconhecidosolucionado na sala de aula mais alta do céu vazio,ela revela sobre o…
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Hannah Sullivan – 3.31 (de “Three Poems”)

O que subsistirá a nós?Larkin pensava que a resposta poderia ser “amor,”Mas não conseguiu prova-lo. “A pasta de rascunhos era o lugar mais interessante.” “Sempre foi você, no final.”“Ele tentou lhe dizer à sua maneira.” Curtas cadeias de carbono no pó,Esta é a resposta prática.Velhos laptops, marca-passos, parafusos ósseos.Filamentos de DNA revelando a causa da…
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Charles Simic – O altar

A estátua de plástico da VirgemEm cima de uma penteadeiraCom um espelho enegrecidoDe um salão de beleza de pesadelo. Dois seixos do túmulo de um astro de rock,Um pequeno e sorridente macaco de dar corda,Uma concha, uma moeda egípcia de bronze,E o canhoto vermelho de um ingresso de cinema. Uma mancha de sol na fotografiaEmoldurada…
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Maggie Smith – O primeiro outono

Eu sou sua guia aqui. Nas ruas crepusculares da manhã, eu aponto e nomeio. Veja os sicômoros, suas cascas manchadas, pintadas-por-números. Veja as folhas enferrujando e crepitando nas pontas. Eu caminho pelo Schiller Park com você no meu peito. As estrelas ardem plenamente à luz do dia. Veja o lago, os patos, os cães chapinhando…
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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Louis MacNeice – A luz do sol sobre o jardim

A luz do sol sobre o jardimEndurece e esmorece,Não podemos enjaular o minutoEm suas malhas de ouro;Quando tudo for dito,Não podemos pedir perdão. Nossa liberdade de soldados a soldoAvança rumo ao seu fim;A terra compele, sobre elaDescem sonetos e pássaros; E em breve, meu amigo,Não teremos tempo para danças. O céu era bom para voar,Desafiando…
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Ana Martins Marques – A porta de saída

“Eu vou morrer, masisso é tudo o que farei pela Morte”Edna St. Vincent Millay, Objeção de consciência “Alô, iniludível” Manuel Bandeira, Consoada A porta de saída Mas não serei eua colocar-lhe a mesa– quando chegarencontrará a casa como sempreem desordemcheia de livros e discoscom plantas e gatos ao sole os papéis em órbitaem torno da camae…
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Germana Zanettini – bem-me-quer

bem-me-quer e quando a morteme desfolharnum sopro de outonoe súbito cessar o peito virarei pó e voltareipólenno vento
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Audre Lorde – As abelhas

Na rua, em frente a uma escola,o que as crianças aprenderamas possui.Garotos gritam enquanto apedrejam um enxame de abelhasque tenta se reunirentre a janela do refeitório e uma grade de ferro.Os garotos arremessam pedras furiosasdespedaçando as janelas.As abelhas, zumbindo sua raiva,demoram a atacar.Então, um dos meninos é picadoem uma destruição mais rápidae os inspetores escolares…