Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

Formas Migratórias

para Katia Alemann

Aprendemos a amar a conta-gotas
essas pequenas pausas de que se veste
o temporal para inundar a solidão
do lado de fora, o ramo entre violeta
e ocre das tardes, o murmúrio
semântico do céu. Nesta ordem,
temos esmaecido a distância,
a longitude sem proporção, as linhas
que se relacionam com as coisas. Curtas
lacunas de ar, esses segundos quebram
o ambíguo conceito de equilíbrio
que na água subjaz e se sustenta
como outra voz dentro do fogo.
Quando clareia e a tarde se harmoniza
em sua límpida explosão em camadas,
aprendemos os mínimos rumores
de onde irrompem cinzas desmemórias.
Com eles, construímos este quarto
saturado de música e de vítreos
aromas de jasmim ou desconhecidos.
Conceitos e raízes que se aglomeram
e edificam uma oval sonora,
um ponto de chegada, outro pretexto
condenado a apalpar nossa garganta
para ouvir-nos dizer: amo esta chuva
quando ela cessa e podemos ouvi-la
abrigar um país debaixo da terra.

Trad.: Nelson Santander

Formas migratorias

para Katia Alemann

Aprendimos a amar a cuentagotas
esas pequeñas pausas que el chubasco
viste para inundar puertas afuera
la soledad, la rama entre violeta
y ocre de las tardes, el murmullo
semántico del cielo. En este orden
hemos desdibujado la distancia,
la longitud sin proporción, las líneas
que relacionan a las cosas. Breves
lagunas de aire, esos segundos quiebran
el ambiguo concepto de equilibrio
que en el agua subyace y se sostiene
al igual que otra voz dentro del fuego.
Cuando escampa y la tarde se armoniza
en su limpia explosión de veladuras,
aprendemos los mínimos rumores
donde irrumpen cenizas desmemorias.
Con ellos construimos este cuarto
que está lleno de música y de vítreos
aromas de jazmín o extranjería.
Nociones y raigambres que se agolpan
y edifican un óvalo sonoro,
un punto de llegada, otro pretexto
condenado a palpar nuestra garganta
para oírnos decir: amo esta lluvia
cuando cesa y podemos escucharla
recoger un país bajo la tierra.

2 comentários sobre “Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

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