Tag: Memento Mori
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Ada Limón – Mar aberto

“Mar aberto”, um poema de Ada Limon que transforma uma lembrança de despedida em uma meditação delicada sobre perda, identidade e permanência.
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Stephen Dobyns – Constatações

O terrível desequilíbrio que ocorre com a idadequando de repente você percebe que mais amigos morreram do que continuam vivos. E às vezesa lembrança deles parece tão real que a mais recente constatação de uma morte pode se tornar uma segunda, menor morte. Todas aquelas conversas interrompidas no meio da frase. Todos aqueles planos jogados…
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David Ignatow – Para minha filha, em resposta a uma pergunta

Não, não vamos morrer,vamos encontrar uma saída.Respiraremos profundamentee comeremos com cuidado.Pensaremos sempre na vida.Não nos desvaneceremos, nem eu nem você.Seremos os primeirose não riremos de nós mesmos jamaise seus filhos serão meus netos.Nada terá mudado,exceto por acréscimo.Nunca haverá outra como vocêe nunca outro como eu.Ninguém jamais a confundiránem me confundirá com outro.Nós não seremos esquecidos…
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Robinson Jeffers – Carmel Point

A extraordinária paciência das coisas!Este belo lugar desfigurado por uma safra de casas suburbanas —Quão belo quando o contemplamos pela primeira vez,Campo intacto de papoulas e tremoceiros, murado por límpidas falésias;Nenhuma intrusão, salvo dois ou três cavalos pastando,Ou algumas vacas leiteiras esfregando os flancos nos afloramentos rochosos —Então chega o depredador: e o lugar, se…
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Francisco Brines – Discurso pagão

Achais, por acaso, que por crerdesna imortalidadeela vos deve ser dada?Ela é obra da fé, do egoísmoou da desolação.E, se existe, não importa não haverdes nela acreditado:respostas ignorantes são todas humanasse a morte interroga. Continuai com vossos faustosos ritos, oferendas aos deuses,ou grandes monumentos funerários,as acolhedoras preces, vossa esperança cega.Ou aceitai o vazio que virá,onde…
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Dan Gerber – Frequentemente, imagino a terra

Frequentemente, imagino a terracom o olhar dos átomos de que somos feitos —átomos, peculiaresátomos por toda parte —sem eu, sem você, sem opiniões,sem princípio, sem meio, sem fim,planando juntos como aquelesantigos pássaros chinesesnascidos milagrosamente com apenas uma asa,ajudando uns aos outros a voar para casa. Trad.: Nelson Santander Often I Imagine the Earth Often I…
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Jennifer Maier – Uma história verdadeira

Um homem idoso estava morrendo em um hospital,contou-me um amigo médico. Estava com oitenta e nove anos, e a vida toda fora um alfaiate em uma lojaembaixo do quarto onde nasceu. Ele não tinha ninguém, então uma bondosa enfermeira de Ganasentou-se com ele, uma mão sobre a sua, segurando um sanduíche. As ondasno monitor desaceleraram.…
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Eugénio de Andrade – Despedida

Junho chegara ao fim, a magoada luz dos jacarandás, que me pousava nos ombros, era agora o que tinha para repartir contigo, e um coração desmantelado que só aos gatos servirá de abrigo
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Howard Nemerov – Figuras de pensamento

Colocar a espiral logarítmica naConcha e no papel, e vê-las se encaixar,Observar a mesma ideia funcionarNa subida do piloto de caça, ajustando a mira Em seu alvo, preparando a matança,E no voo de certos insetos estrábicosQue não conseguem ver que voam para a morteMas têm que lançar nela seu olhar de esguelhaE dirigir-se, mas girando,…
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William Blake – A mosca

Pequena Mosca, Teus jogos de estio Minha irrefletida Mão os destruiu. Pois como tu, Mosca não sou eu? E não és tu Homem como eu? Eu canto e danço e Bebo, até que vem Mão cega arrancar-me As asas também. Se é o pensamento Vida, sopro forte, E a ausência do Pensamento morte, Então eu…