Tag: Luto
-
Sean Thomas Dougherty – Os aposentos familiares da dor

Ocasionalmente, estou bem,embora, quando chego em casa do trabalho,ainda me sente em sua poltrona por horas sem tirar o casaco,puxando os botões que não são respostas — Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog Grief’s Familiar Rooms Sometimes I am…
-
Tess Gallagher – Paro de escrever o poema

Paro de escrever o poema*para dobrar as roupas. Não importa quem viveou quem morre, continuo sendo mulher.Sempre terei muito o que fazer.Cinjo as mangas da camisa deleunindo-as. Nada pode deternosso afeto. Voltarei a seruma mulher. Mas por enquantohá uma camisa, uma enorme camisa,em minhas mãos, e, em algum lugar, uma garotinhaao lado de sua mãeobservando…
-
Nuno Júdice – Nostalgia de setembro

Quando vinham as nuvens de setembro, jáos pássaros tinham emigrado para além dos mares,o campo ficava em longos silênciosque só a passagem dos rebanhos, a caminhodo matadouro, cortava num tropel que ecoavaainda, depois da paisagem, com os gritosdo pastor e o ladrar dos cães. Eu gostava dessas nuvensquando começavam as primeiras chuvas, e podiaouvir o…
-
Ted Kooser – Pais

Meus falecidos pais tentam se manter fora do meu caminho.Quando entro em um cômodo, eles já o deixaram,foram procurar o que precisa ser feitoem outra parte da casa, meu pai com o aspirador,minha mãe com pano de pó e o lustra-móveis. Às vezes,ouço seus velhos chinelos tamborilandopelo corredor, ou vejo por um breve instanteo que…
-
Daniel Faria – Infância

e jogava o pião com Deusenquanto minha mãe estendia roupae o meu pai mendigava o pão e minha alegria nesse tempoera muito próxima da dos meninose de Deus que ganhava sempre e não sei quem perdi primeiro: o pião ou Deusapenas sei que Deus continuaa jogar com outros meninos e que no Outono quando saio à…
-
Ama Codjoe – Por que deixei o Jardim

Depois que perdi meu seio, tornei-me uma mulhersuturada por um certo saber. Durante o dia eu me movia como se caminhar não fosse diferentede cair. Eu tinha os buracose o céu crivado. Eu não tinha nada. Mesmo de longe,eu conseguia ouvir o disco pulando.O tempo escorriadas mãos. Dos rostos. Na primeira vez em que um…
-
Sharon Olds – Destino

Finalmente desisti e me tornei meu pai,sua face oleosa e abatida brilhando paraqualquer pessoa que eu olhasse, seus olhos castanhos-lodoem meu rosto, cintilando como chão molhado em queas coisas que amamos caíram, e se perderam para sempre. Não mais tenteinão ter o mau hálito dele,sua postura encurvada de fracasso, seu tristesexo pendurado sobre a coxa,…
-
Philip Larkin – Continuar a viver

Continuar a viver – isto é, repetirUm hábito formado para obter o necessário –Quase sempre significa perder, ou passar sem. É variável. Essa perda de interesse, cabelos e ambição –Ah, se o fosse pôquer, sim,Você poderia descartá-los, fazer um full house! Mas é xadrez. E uma vez que tenha percorrido toda a extensão da mente,O que você…
-
Wendell Berry – A Paz das Coisas Selvagens

Quando as dores do mundo crescem em mime desperto na noite ao menor somcom medo do que minha vida e a dos meus filhos possam ser,eu saio e me deito onde o pato selvagemrepousa em sua beleza sobre as águas, e a garça se alimenta.Eu penetro na paz das coisas selvagensque não sobrecarregam suas vidas…
