Tag: Infância
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Ada Limón – O que eu quero lembrar

Logo antes da casa do general Vallejo,com suas imponentes pedras e paredes amarelas, há um campo ao longo do caminhopara o qual as chuvas de primavera conduzem os sapos, toda uma sinfonia deles, inaugurandoas horas logo após o sol afundar no Oceano Pacífico, a apenasuma hora de distância. Por que estou colocando você aqui? Estou…
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Paulo Henriques Britto – Geração Paissandu

Vim, como todo mundodo quarto escuro da infância,mundo de coisas e ânsias indecifráveis,de só desejo e repulsa.Cresci com a pressa de sempre. Fui jovem, com a sede de todos,em tempo de seco fascismo.Por isso não tive pátria, só discos.Amei, como todos pensam.Troquei carícias cegas nos cinemas,li todos os livros, acrediteiem quase tudo por ao menos…
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Nâzim Hikmet – O otimista

quando criança ele nunca arrancou as asas das moscasele não atava latas nos rabos dos gatosnão prendia besouros em caixas de fósforosnem esmagava formigueirosele cresceue todas estas coisas foram feitas com eleeu estava ao lado de sua cama quando ele morreuele disse leia para mim um poemasobre o sol e o oceanosobre satélites e reatores…
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Victoria Kennefick – Monte submarino

Da areia, você aponta onde ficava a loja,os correios, o bar;você me conta que caminhou até o vilarejo quando meninopara ficar nas esquinas, farejar o ar salgado. Tocos se erguem da argila na maré baixa,alinham-se como soldados derrotados, inclinam-se ao vento.Eles já foram árvores, agora lembram apenas ramos,esquecidos do verde vivo das folhas na primavera.…
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Jorge Valdés Días-Vélez – Pro nobis

Pro nobis para José Emilio Pacheco Uma vez mais, abriu o Averno suas mandíbulas escaldantes. Assomam os pesadelos e o terror da morte se o sono o invade e se transforma em chama negra, se, ao dormir, o levam até ele, ao lagar luxurioso dos demônios. O menino, mudo, contempla sua silhueta e chora. Na…
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Ted Kooser – Luz das estrelas

A noite toda, essa chuva suave do passado distante.Não admira que às vezes eu desperte como uma criança. Trad.: Nelson Santander Starlight All night, this soft rain from the distant past.No wonder I sometimes waken as a child.
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Brigit Pegeen Kelly – A partida

Meu pai disse que eu não conseguiria fazê-lo,mas por toda noite eu colhi os pêssegos.O pomar estava silencioso, os canais funcionavam incessantemente.Eu era uma menina na época, meu peito era seu próprio jardim murado.Quantas são as escadas para a colheita em um pomar?Eu tinha apenas uma e uma grande paciência com as mãos acesase o…
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Nelson Ascher – Visita ao asilo

Subsistem devagar nojardim da última infânciasorvendo desdentadosde vida (além de dentes) o caldo-de-galinhahospitalar dos dias.Opacas as retinase os tímpanos à prova de som, eles combinamremorsos de placentadensos de urina e restosmortais que, amortalhados folgadamente em peloacima do seu número,apegam-se obsessivosaos ossos descalci- ficados como, à ideiade podre, os urubus.Sinapse piedosaque, entre neurônios secos, censura todo…
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Joan Margarit – Coisas em comum

Ter-nos conhecidoem um outono num trem que ia vazio;A radiante, embora cruel,promessa do desejo.A cicatriz da melancoliae o velho afeto com o qual compreendemosos motivos do lobo.A lua que acompanha o trem noturnoBarcelona-Paris.Uma faca de luz para os crimesque por amor devemos cometer.Nossa maldita e inocente sorte.A voz do mar, que sempre te diráonde estou,…
