Tag: Infância
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Louise Glück – Abundância

Um vento frio sopra nas noites de verão, agitando o trigo.O trigo se curva, as folhas dos pessegueirosfarfalham noite afora. No escuro, um menino cruza o campo:pela primeira vez, ele tocou uma garotae então volta para casa como um homem, com a fome de um homem. Lentamente, as frutas amadurecem —cestas e mais cestas delas…
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Linda Hogan – Cruzamentos

Há um lugar no centro da terraonde um oceano se dissolve dentro de outronum amor negro e sacro;É por isso que as baleias de um marconhecem as canções do outro,porque uma coisa se torna outrae a areia escorre pela ampulhetapara um outro tempo.Certa vez vi um feto de baleiaem um bloco de gelo brilhante.Não era…
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Antonio Pérez Morte – Para Berta

“Para Berta”, um poema de Antonio Pérez Morte Para restabelecer a infância, uma bola de gude. Para a adolescência um beijo, um verso, uma esperança.
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David Mourão-Ferreira – Herança

Ouvir, ouvir de noite uma ambulância, E desejar que estejas a morrer; Fechar a porta à minha própria infância; Amigos, conhecidos, nem os ver; Quebrar nas mãos o aro da esperança; Mas de mim para mim depois dizer: “Calma! Quem nada espera tudo alcança…”; E guardar o revólver; e beber, A sós, o vinho que…
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Joan Margarit – Último trem

Último tremCrematório de Collserola Se visses a chuva que envernizao verde escuro e espesso do jardim.Teu vagão solitário está chegandoà sala espaçosa, sem adornos,mobiliário, ou luminárias,da Estación de Francia da morte.Só se escuta o murmúrio do motorque arrasta o pesoda infância e da juventude– de teu anônimo tempo, já perdido,que nunca mais será reclamado –,rumo…
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Dorianne Laux – Interstício

Nós montamos o quebra-cabeça peça por peça, apreciando como um entalhe curvo se insere tão suavemente no outro. Uma mancha amarela se transforma na palha de uma vassoura, e duas peças azuis completam o último pedaço do céu. Juntos, remendamos as cadeiras de balanço e as árvores do outono, combinando ouro com ouro. Temos nas…
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David Ignatow – Para a minha filha

Quando eu morrer, escolhe uma estrelae dá-lhe o meu nomepara que saibas quenão te abandoneinem te esqueci.Foste para mim uma estrela,guiando-me pelo teu nascimentoe infância, minha mãona tua mão. Quando eu morrer,escolhe uma estrela e dá-lheo meu nome para que eu possa brilharsobre ti, até que te juntes a mimna escuridão e no silênciojuntos. Trad.:…
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Joan Margarit – Despedidas

Ela o acompanhava até o primeiro trem que partia às segundas antes do amanhecer, e naquele bar costumavam despedir-se, o mais próximo da Estación de Francia. Evoco os invernos detidos atrás das vidraças da infância. E talvez esta seja sua mesa, onde agora lembro-me de que, naquela mesma hora, eu estava na penumbra do meu…

