Tag: felicidade
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Mary Oliver – Não hesite

Se você, súbita e inesperadamente, sentir alegria,não hesite. Entregue-se a ela. Há muitasvidas e cidades inteiras destruídas ou prestes a serem.Não somos sábios e raramente somos amáveis.E muito nunca poderá ser redimido.Ainda assim, a vida ainda tem alguma possibilidade. Talvez essa seja sua forma de resistir, de mostrar que às vezesalgo melhor do que todas…
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Juan Vicente Piqueras – O pouco que sei

Sei que o penar não vale a pena. Sei que a felicidade é indizível. Sei que o amor, essa missão selvagem,delicada, impossível, é a única formade estar neste mundo sem errar. Sei que a morte resolve tudo.Sei que a morte, não, quero dizer, a vidaé um pintassilgo em uma árvore secaou em uma amendoeira em…
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Peter Everwine – Chuva

Ao anoitecer, quando a luz vaciloue a pereira diante de minha janela escureceu,pousei meu livro e me postei junto à porta aberta,as primeiras gotas de chuva golpeando os beirais,um cheiro de terra molhada no vento.Sessenta anos atrás, deitado ao lado do meu pai,meio adormecido, sobre uma cama de ramos de pinheiro,enquanto a chuva tamborilava contra…
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: VII – Encontrando algo

Uma cena familiar aproxima infância, envelhecimento e a tarefa de carregar aquilo que amamos. O poema encontra sentido em gestos concretos de cuidado, enquanto felicidade e passagem do tempo permanecem discretamente ligadas.
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: VI – Sozinho

Depois da perda, estar sozinho não significa apenas ausência: o mundo continua oferecendo beleza, prazer e exigência. Jack Gilbert sustenta a tensão entre morte e felicidade, procurando uma forma de viver sem negar nenhuma delas.
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Paulo Henriques Britto – de “Oito sonetos entrópicos”

I Deixar de ser é coisa natural,como é natural ser. Pensando bem(ou só pensando, seja bem ou mal),o que haverá de natural, porém,em ser o que se é, e não ser, apenas?Não haverá um toque de artifícioimplícito em escamas, pelos, penas,nos ossos que sustentam o edifíciotodo, na fome que impele essa máquinafuriosa e cega, essa…
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro,a que leva ao poder, a que esconde o mistériodo amor; a que oculta o segredo insondávelda felicidade, a que a vida te ofertapara sempre no gozo de uma visão sublime.Abre todas as portas, sem te mostrares curioso,nem dar importância às manchas de sangueque salpicam as paredes…
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César Cantoni – O Tempo Irreparável

Quem teria pensado nisso, então?O certo é que meu pai está mortocomo se nunca tivesse existido.Um dia congelaram suas mãos e os pés,e a casa se encheu de parentes,e minha mãe chorou, de joelhos, junto ao leito.Ainda me lembro. Meu pai está morto ou já não existe,e não basta agora saber que ele era feliz.Neste…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Philip Larkin – A casa está tão triste

A casa está tão triste. Ficou como foi deixada,Moldada para o conforto dos últimos saintesQuerendo reconquista-los. Ao invés, despojadaDe alguém para agradar, ela definha assim, carenteDe um coração para esquecer que foi roubada E voltar novamente às origens – um retratoAlegre de como as coisas deveriam ser –Há muito perdidas. Veja como era de fato:Observe…